Grupo Alimentação está entre os que o índice assinala maior decréscimo na RMBH - Foto: REUTERS/Pilar Olivares

Impulsionado principalmente pelo setor de serviços, o Produto Interno Bruto (PIB) de Minas registrou alta de 1% no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2017. No acumulado de 12 meses, houve avanço de 1,1% na geração de riquezas no Estado. No Brasil, o aumento do PIB foi de 1,1% no semestre. Os dados foram divulgados ontem pela Fundação João Pinheiro. Segundo o levantamento, nos primeiros seis meses de 2018, o PIB mineiro totalizou R$ 289,7 bilhões, sendo R$ 150,4 bilhões referentes ao segundo trimestre.

Na análise do coordenador de estatísticas econômicas da Diretoria de Estatísticas e Informações da Fundação João Pinheiro, Raimundo de Sousa, apesar do resultado positivo, o momento exige cautela, com indicação de recuperação econômica frágil e lenta. O economista reforça que a recuperação não está consolidada e o cenário está sujeito a uma série de fatores ainda indefinidos, o mais importante deles o resultado da eleição.

“Há muita cautela na observação dos resultados. Nós vínhamos de uma tendência mais firme de recuperação econômica, embora fraca, ao longo de 2017. E essa tendência dá lugar a movimento de oscilações no curto prazo”, disse. As oscilações devem ocorrer até o final do ano, segundo o economista.

Na comparação do primeiro semestre de 2018 com o primeiro semestre de 2017, o setor de serviços teve um avanço de 1,8%. Sousa reforça que tal resultado é especialmente importante devido ao peso desse segmento, que responde por cerca de dois terços no total da economia de Minas.

Já a agropecuária e a indústria tiveram variações negativas nessa mesma base comparativa. A agropecuária caiu 0,8% e, segundo Sousa, um fator preponderante para tal resultado é que a safra de café, que deve ser maior em 2018, será colhida principalmente no segundo semestre. No caso da indústria, a redução foi de 1%. Um dos fatores foi a retração de 8,2% na indústria extrativa mineral, com as mineradoras dando preferência à extração do minério de ferro no Pará.

Mas a alta do dólar pode estar interferindo no cenário específico da mineração, levando ao aquecimento da atividade. Sousa explica que, em alguns casos, a taxa de câmbio no nível mais elevado pode estar viabilizando projetos que estavam em compasso de espera. Segundo a pesquisa, no segundo trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior, a indústria extrativista mineral avançou 10%.

Outro fator que deve interferir na indústria de Minas, dessa vez negativamente, é a crise na Argentina. Sousa explica que o setor de fabricação de veículos automotores tem papel importante na recuperação econômica, o que ocorreu devido à demanda interna, mas também pelo mercado das exportações, particularmente para a Argentina. “Nós não vamos poder contar com isso em função da crise que se generalizou na economia do nosso país vizinho”, disse.

Trimestre – Levando-se em conta a base comparativa do segundo trimestre de 2018 com igual período de 2017, o PIB mineiro subiu 0,7%. Nessa base, todos os setores mostraram desempenho positivo: agropecuária com alta de 1,6%; indústria, com elevação de 1,1% e serviços, com avanço de 1,3%.

O PIB de Minas do segundo trimestre em relação ao trimestre anterior apresentou queda de 0,4%. Nesse caso, a retração mostra o impacto da greve dos caminhoneiros, especialmente no setor de serviços, que recuou 0,6%. A agropecuária avançou 2,6%, enquanto a indústria subiu 1,9%.

Acumulado – No acumulado de 12 meses (julho de 2017 e junho de 2018, em relação a igual período anterior), o PIB subiu 1,1%, sendo que a agropecuária recuou 4,6%; a indústria teve retração de 1,1% e o setor de serviços subiu 2,2%.

O Brasil registrou alta do PIB de 1,1% no primeiro semestre de 2018 em relação a igual período de 2017. No acumulado de 12 meses, a alta é de 1,4% já no segundo trimestre em relação a igual período de 2017 houve avanço de 1,1%. Já na relação segundo trimestre 2018/primeiro trimestre 2018, foi registrada pequena alta de 0,2%.