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Rio – O movimento da Petrobras de cancelar alta programada para o diesel após pressão do governo pode colocar em risco os planos do atual presidente da empresa, Roberto Castello Branco, de vender uma parcela significativa das refinarias, na avaliação de analistas e agentes do mercado.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, afirmou que lamenta as notícias, citando que elas vêm após o governo ter prometido que a Petrobras teria independência para praticar preços e que eles estariam atrelados aos valores internacionais.

“Compromete, na minha opinião, o plano de venda de refinarias. Como você vai comprar refinarias no Brasil em um País onde a todo momento tem interferência?”, questionou.

O mercado conta com a venda das refinarias para atrair mais competição para o setor, ampliar a capacidade de refino e também para reduzir o poder do governo nos preços dos derivados do petróleo. O desinvestimento também poderia render bilhões à Petrobras.

O episódio envolvendo Bolsonaro ainda pode reacender um debate dentro do conselho de administração da Petrobras sobre a venda ou não das refinarias.

O representante de conselheiros minoritários no conselho da Petrobras, Marcelo Mesquista, afirmou à Folha de S.Paulo que esse caso deveria reforçar a pressão da sociedade por privatização da área de refino e da própria Petrobras, já que assim a política de preços não sofreria interferência de governos.

O representante dos funcionários no colegiado, Danilo Silva, por sua vez, rebateu a fala de Mesquita em entrevista à Reuters, dizendo que “isso mostra a importância da Petrobras como instrumento público e que o povo brasileiro tem de fazer o contrário, tem que pressionar para que ela se torne uma empresa 100 % estatal”.

“Imagine se o mercado de combustíveis estivesse nas mãos de uma chinesa ou de uma francesa, se elas teriam alguma sensibilidade em relação à greve dos caminhoneiros”, disse.

Silva, no entanto, frisou que a utilização da empresa como instrumento de política pública precisa ser feita de forma transparente, sem sobressaltos para mercado, sociedade e gestão da empresa, “para que não se repita o erro da política de preços” do governo de Dilma Rousseff.
Procurada, a Petrobras não comentou o assunto de imediato.

Transparência – O professor e pesquisador do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Edmar de Almeida, destacou que a falta de transparência na interferência dos preços prejudica a atração de investimentos na área de refino.

“O governo tem que decidir se acredita no mercado ou não”, afirmou Almeida, explicando que se for intervir, precisa trabalhar de forma mais transparente.

O programa de subsídio no segundo trimestre de 2018 foi muito criticado pelo mercado, mas as regras eram claras e discutidas com os agentes, destacou Almeida.

“Esse movimento de pegar o telefone e ligar para o presidente da Petrobras é o pior caminho”, afirmou, frisando ainda que será difícil a vinda de investidores, sem que haja certeza de que eles poderão praticar os preços que desejarem. (Reuters)