Ibovespa fechou o pregão com recuo de 2,24%; segundo mercado, informação sobre Ilan adicionou mais incerteza ao País - Crédito: Ueslei Marcelino/Reuters

São Paulo – O pregão de ontem foi de queda na bolsa paulista, acompanhando o viés negativo em Wall Street, onde os negócios foram pressionados por preocupações com o aumento dos custos de financiamento nos Estados Unidos (EUA) e sinalização pelo banco central norte-americano de continuidade no aperto monetário.

O Ibovespa fechou em baixa de 2,24%, a 83.847,12 pontos. O volume financeiro na sessão somou R$ 12,2 bilhões.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa ampliou a queda no ajuste de fechamento após a agência Bloomberg informar, citando duas fontes, que Ilan Goldfajn se prepara para deixar o Banco Central no final do ano. Procurado pela Reuters, o BC não quis comentar a notícia.

“A notícia adiciona dúvidas em um momento no qual já existem várias incertezas sobre a composição do novo governo. A permanência dele seria um problema a menos. Não estava certo se ele iria continuar, mas agora essa troca parece mais certa de ocorrer”, disse o gerente de investimentos de um fundo de pensão no Rio de Janeiro, que pediu para não ter o nome citado.

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Fed – Nos EUA, os principais índices acionários fecharam em queda, conforme resultados piores do que o esperado de empresas do setor industrial reforçaram preocupações sobre efeitos de custos mais elevados para o crédito e tom hawkish do Federal Reserve, na véspera, na ata da última decisão de juros.

De acordo com o gestor Frederico Mesnik, sócio-fundador da Trígono Capital, o tom negativo em Nova York corroborou uma realização de lucros na bolsa brasileira.
“O mercado já precificou a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno da eleição presidencial e agora quer ver quem irá fazer parte da equipe do próximo governo. Investidores que compraram ações semanas atrás estão colocando parte do lucro no bolso”, afirmou.

Em outubro, o Ibovespa ainda acumula alta de 5,7%. No ano, o ganho alcança quase 10%. Papéis como as preferenciais da Petrobras contabilizam uma valorização superior a 20% neste mês e de cerca de 60% em 2018.

Na visão de Mesnik, o Ibovespa deve ficar “de lado”, sem uma tendência clara, até que os primeiros nomes do novo governo sejam conhecidos. (Reuters)