Eduardo Seidl/Palácio Piratini

O preço do leite, em Minas Gerais, apresentou a terceira alta consecutiva em 2019. De acordo com os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o valor médio líquido recebido pelo produtor por litro foi de R$ 1,47. O montante ficou 5,05% maior em março quando comparado com fevereiro. No primeiro trimestre, o aumento acumulado foi de 17,6% no valor líquido do leite. A expectativa, no curto prazo, é de novas valorizações, que serão puxadas pelo início da entressafra.

No valor médio bruto, foi verificada elevação de 4,97%, com o litro de leite avaliado em R$ 1,58.

Segundo os pesquisadores do Cepea, a alta dos valores vem sendo sustentada pela queda na captação do leite. O volume de leite produzido em Minas Gerais recuou 2,9% em fevereiro. Com a menor disponibilidade da matéria-prima, a concorrência entre os laticínios está maior, o que também estimula o aumento dos valores recebidos pelos pecuaristas.

Assim como em Minas Gerais, a valorização do leite também foi registrada na média Brasil, que é calculada conforme os valores praticados nos estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Na média nacional, o valor pago ao produtor também registrou a terceira alta consecutiva em março, chegando a R$ 1,47 por litro, elevação de 4,5%. No período, houve queda de 4,7% na captação do leite.

Os pesquisadores do Cepea destacam que, em fevereiro, a menor captação do leite ocorreu em função da queda da oferta de pastagem. Influência das chuvas irregulares, que limitaram a disponibilidade de pastagens e a produtividade das lavouras de milho.

Custo de produção – O zootecnista e analista de agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Wallisson Lara Fonseca, destaca que a queda na produção de leite também está atrelada aos resultados ruins registrados ao longo de 2018, quando os custos de produção foram impulsionados e os preços recebidos pelo leite não acompanharam a alta.

“Os produtores trabalharam com a margem de lucro ajustada ou negativa ao longo de 2018, o que comprometeu a capacidade de investimentos em melhorias e na alimentação dos bovinos. Este fator interfere de forma negativa na captação do leite”, explicou.

Para os próximos meses, a tendência é de novas valorizações. Fonseca explica que alguns fatores serão importantes para manter os preços do leite em alta.

“Este ano, a Argentina, que é um dos exportadores de leite para o Brasil, registrou queda na produção, o que vai limitar as negociações. Além disso, o dólar valorizado desestimula as importações. Outro fator é a demanda aquecida por parte das indústrias lácteas. Também estamos entrando no período de entressafra do leite na região Sudeste, o que vai limitar, ainda mais, a oferta. Todos esses fatores podem contribuir para novas altas e melhores condições financeiras para o produtor de leite”.