O valor praticado no Estado acumula alta de 50% nos primeiros nove meses frente a 2017 - Eduardo Seidl/Palácio Piratini

Após sete altas consecutivas, os preços pagos pelo leite, em Minas Gerais, encerraram setembro em queda. A desvalorização do produto já era esperada, uma vez que o mercado consumidor mostrava sinais de menor demanda desde o mês passado. No Estado, referente à produção entregue em agosto, o litro de leite, na média líquida, foi negociado a R$ 1,50, retração de 6,53% frente ao mês anterior. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a tendência para os próximos meses são de novas quedas na cotação, influência que virá da demanda mais enfraquecida e do aumento da oferta, favorecido pela retomada das chuvas.

O pecuarista de leite, em Minas Gerais, recebeu R$ 1,61 pelo litro em setembro, na média bruta, o que representou uma queda de 6,21%. Em relação ao valor líquido, R$ 1,50, mesmo com a retração observada ao longo de setembro (6,53%), o valor praticado no Estado acumula alta de 50% nos primeiros nove meses de 2018 e de 37,61% quando comparado com setembro do ano anterior.

Segundo os pesquisadores do Cepea, assim como no Estado, na média Brasil, o preço do leite pago ao produtor em setembro – referente ao leite entregue em agosto – registrou queda de R$ 0,07 ou de 4,6%, com o litro negociado a R$ 1,47. A média Brasil considera os resultados da Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A retração nos valores recebidos pelos pecuaristas de leite já era esperada em função da demanda menor. Com a elevação significativa dos preços pagos pelo leite, devido ao período de entressafra, que foi agravado pela queda no abastecimento provocada pela greve dos caminhoneiros, o consumo recuou significativamente. Os pesquisadores do Cepea destacam que, ao longo de agosto e setembro, supermercados optaram por fazer promoções para estimular as vendas.

Além disso, a instabilidade econômica e política também interferem na intenção de consumo, outro fator que contribuiu para que a demanda por produtos lácteos recuasse. A expectativa, segundo o Cepea, é de novas quedas nas cotações ao produtor ao longo dos próximos meses, com a pressão vinda tanto da demanda, que segue fragilizada, quanto da oferta, já que o retorno das chuvas favorece a produção.

Os pesquisadores ressaltam que alguns fatores podem limitar o possível crescimento da oferta de leite, como o aumento dos custos de produção, especialmente por conta da valorização da ração. O que, associado ao cenário de queda na receita, pode reforçar o desestímulo dos pecuaristas frente aos riscos de produção e comercialização, impactando os investimentos na atividade.

Outra ressalva dos pesquisadores do Cepea e que pode interferir de forma negativa no aumento da produção de leite são as influências climáticas, como o El Niño. A ocorrência do fenômeno deve influenciar na distribuição das chuvas entre novembro e dezembro, o que pode prejudicar as pastagens e a safra de grãos.

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Projeções – Devido ao cenário, a expectativa de estabilidade ou de queda na produção ganha mais força, segundo os pesquisadores do Cepea. A retração da produção vem ocorrendo nos últimos anos, estimulada, principalmente, pela baixa renumeração ao produtor e custos elevados, o que desestimula investimentos.

Em 2017, por exemplo, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a retração na produção de leite de Minas Gerais foi de 0,65%, com a captação de 8,91 bilhões de litros. A queda na produção nacional ficou em 0,5%. Mesmo com o recuo, a produção mineira é a maior do País, respondendo por 26,6% do volume nacional.

Municípios – Segundo os dados da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), elaborada pelo IBGE, entre os 20 maiores municípios produtores de leite do País, 12 estão em Minas Gerais. O segundo maior produtor nacional é Patos de Minas, seguido por Patrocínio (4º), Coromandel (5º), Pompéu (6º), Lagoa Formosa (7º), Prata (9º), Carmo do Paranaíba (10º), Unaí (12º), Perdizes (14º), Rio Paranaíba (16º), Passos (17º) e Monte Alegre de Minas, ocupando a 19ª posição no ranking nacional.