Brasília – O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, disse ontem que continuará à frente da companhia, ao responder perguntas de parlamentares que integram a Comissão Externa de Brumadinho da Câmara dos Deputados. Questionado por parlamentares da bancada mineira se está à vontade no cargo, depois de ter dito quando assumiu a mineradora, há um ano e meio que, “Mariana nunca mais”, o executivo respondeu: “É evidente que eu estou consternado com o acidente que aconteceu. É evidente que era tudo que eu não queria na minha vida, que um acidente desse acontecesse. Agora eu me vejo como parte da solução, estou aqui nessa companhia há pouco mais um ano e meio e estou trabalhando para mudar essa companhia para melhor. Na verdade, enquanto e se tiverem confiança no meu trabalho, eu continuarei fazendo sem pestanejar um instante, dando o máximo de mim”.

O presidente da Vale também foi bastante questionado se a empresa sabia que a tragédia poderia acontecer. A dúvida ganhou força depois de reportagem publicada no último fim de semana pela Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem, em outubro de 2018, a empresa projetou mortes e custos de possíveis colapsos na barragem de Brumadinho.

“Gostaria de explicar, de maneira absolutamente cristalina e transparente, que existe a obrigação legal para todas as mineradoras calcularem para a Agência Nacional de Mineração o impacto de uma eventual falência das minas em termos de números de vítimas. Essa é uma informação exigida por lei e a Vale, consequentemente, constrói essa informação para atender esse requisito”, afirmou, acrescentando que, em absoluto, significa que a Vale sabia que alguma coisa iria acontecer.

Fábio Schvartsman disse que estão sendo feitas muitas menções de relatórios da Vale na imprensa, mas que as informações estão sendo divulgadas fora de contexto. “A Vale tem dado amplo acesso a todas as informações da companhia, sejam elas quais forem, sem nenhum tipo de censura. A consequência disso é que relatórios eminentemente técnicos, restritos à área técnica, de estudos em andamento, estão sendo divulgados como se fossem informação. Eles não são informação, não eram nem informação dentro da companhia, eram estudos em desenvolvimento que, daí conclui-se, que obviamente a companhia já sabia que os estudos classificavam as barragens de um jeito A ou B”, disse.

Sobre as críticas por sempre tratar o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão como acidente, o número um da Vale reafirmou que ainda não sabe o que aconteceu. “Eu digo acidente porque é o que eu sei nesse momento, mas isso será apurado. O que acontece em Brumadinho vai ser avaliado. Todas as autoridades do País estão olhando isso com lupa, e tenho certeza que os motivos serão identificados e os culpados, se houverem, serão identificados. E é isso que nós queremos, para a paz de espírito nossa e de vocês”.