Brasília – O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem que “muitas falácias” têm sido usadas sobre o decreto que flexibiliza o acesso à posse de armas e acrescentou que o governo ainda lançará mão de outras medidas e propostas na área de segurança pública.

“Muitas falácias sendo usadas a respeito da posse de armas. A pior delas conclui que a iniciativa não resolve o problema da segurança pública”, publicou o presidente em seu perfil do Twitter.

Para ele, as críticas ignoram “o principal propósito, que é ‘iniciar’ o processo de assegurar o direito inviolável à legítima defesa”.
“Para a infelicidade dos que torcem contra, medidas eficientes para segurança pública ainda serão tomadas e propostas. Os problemas são profundos, principalmente pelo abandono dos governos anteriores. Mal dá pra resolver tudo em quatro anos, quem dirá em 15 dias de governo”, acrescentou o presidente.

Na última terça-feira, Bolsonaro assinou o decreto que flexibiliza as regras para posse de armas no país, uma de suas principais bandeiras de campanha, em sintonia com a chamada bancada da bala no Congresso, que o apoiou na disputa presidencial.

O novo decreto facilita o reconhecimento da chamada “efetiva necessidade” para a posse de armas, amplia a lista de casos em que ela será permitida – como morar em área rural ou em cidades com elevados índices de violência – e ainda aumenta o prazo para renovação da autorização de posse de arma de cinco para dez anos.

Mas críticos dizem que a flexibilização da posse de armas não só não vai diminuir a violência como pode aumentá-la. “Eu acho que aumentar o número de armas na sociedade num ambiente como esse não é sadio, acho que vai fazer mal, vai aumentar a violência”, afirmou o diretor-executivo da ONG Viva Rio, o antropólogo Rubem César Fernandes, em entrevista à Reuters TV.

“A arma em si não faz violência, mas em um ambiente tão tenso, cheio de conflitos, pequenos e grandes conflitos, onde todo dia a gente vê cenas de violência armada no Brasil, urbanas, então o uso da arma fica muito na cabeça das pessoas”, acrescentou.

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Medida de flexibilização divide opiniões

Pesquisa – O governo do presidente Jair Bolsonaro tem 40% de avaliação ótima ou boa e 20% de ruim ou péssima no início do mandato, de acordo com pesquisa XP Ipespe divulgada ontem.

Outros 29% consideram o início da gestão regular, enquanto 11% não souberam opinar ou não responderam, no primeiro levantamento XP Ipespe sobre a popularidade do governo desde a posse de Bolsonaro em 1º de janeiro.

Segundo o levantamento, realizado pelo telefone com 1.000 pessoas entre os dias 9 e 11 de janeiro, a expectativa para o restante do governo é ainda mais positiva. Para 63%, Bolsonaro fará um mandato ótimo ou bom, enquanto 15% consideram que será negativo.

A pesquisa apontou que 62% aprovam a montagem do governo e as primeiras medidas anunciadas, contra 29% que desaprovam, e mostrou que a maioria da população (58%) defende que as primeiras medidas enviadas ao Congresso tratem sobre segurança pública.

O levantamento apontou, ainda, que 37% tem uma avaliação negativa do novo Congresso Nacional, que tomará posse em 1º de fevereiro, enquanto 34% o consideram regular e 17% disseram considerar ótimo ou bom.

A pesquisa foi preparada pela XP Investimentos em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), e tem margem de erro de 3,2 pontos percentuais. (Reuters)