Escolha final será do governador eleito, diz Lucas Ribas - Divulgação

No final de outubro, o governador eleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou querer contratar uma empresa de “executive search” para selecionar os futuros secretários de Estado. A ideia é dar transparência e profissionalização ao processo e à própria escolha, já que a empresa faria a seleção por critérios técnicos e comportamentais em detrimento dos arranjos políticos. Os selecionados seriam apresentados e a palavra final seria do governador.

Até agora, a ideia não foi posta em prática e a concretização não é uma tarefa fácil já que ele ainda não tem autonomia sobre o orçamento ou para fazer uma licitação do serviço. Os entraves administrativos, porém, não desanimam os profissionais de Recursos Humanos (RH) que avaliaram a proposta como positiva.

Para o sócio-consultor especialista do time de Belo Horizonte e Goiânia da Fesa Group, Lucas Ribas Wilson, adotar a prática que é comum entre as grandes empresas no setor público seria não só valorizar os profissionais de RH como também valorizar as equipes das secretarias. “Esse é um modelo comum na Europa e nos Estados Unidos que pode ser adotado no Brasil desde que a legislação seja respeitada. A grande vantagem é garantir que o escolhido tenha, realmente, conhecimento sobre a área que vai atuar. É importante lembrar que a escolha final é sempre do cliente, no caso o governador eleito. O papel da assessoria é buscar os profissionais com o perfil desejado, fazer o recrutamento e apresentar os selecionados”, pontua.

A Fesa Group se colocou, através da plataforma LinkedIn, à disposição da equipe de transição de Romeu Zema para fazer o trabalho pro bono ou doar o dinheiro para projetos de educação, mas não obteve resposta.

Ultrapassadas as questões administrativas, o trabalho da consultoria não seria dos mais fáceis. A indicação do governador eleito de que os salários dos futuros secretários, assim como o dele próprio, não serão pagos enquanto a folha de pagamento dos servidores públicos estaduais não estiver regularizada, deve ser um dificultador para que apareçam bons candidatos.

“É certo que sem perspectivas de receber salário alguns bons candidatos não devem se apresentar para o processo. Buscaríamos aqui, então, um profissional que tivesse nesse trabalho um propósito, uma causa. Alguém que quisesse mudar o patamar de entrega do serviço público”, pontua o executivo da Fesa Group.

Ainda que se deseje a excelência técnica para os cargos de secretário de Estado, é certo que alguma habilidade política é bem-vinda, já que é comum a necessidade de costura de apoios e parcerias dentro do próprio governo, entre as diversas secretarias e órgãos e, principalmente, com o legislativo. A segunda parte, especialmente, pode impor dificuldades severas, já que o partido do novo governador não fez maioria na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

“Executivos de grandes empresas estão acostumados a trabalhar sob uma pressão muito intensa. O setor público tem, evidentemente, uma natureza própria, porém a arte da negociação é muito praticada também no setor privado. É importante ressaltar, ainda, que existem profissionais extremamente gabaritados já dentro do Estado, que poderiam ocupar essas vagas. Temos em Minas a Fundação João Pinheiro (FJP) que é uma das principais escolas de gestão pública do País e esses profissionais poderiam ser aproveitados com tranquilidade”, afirma.