Fabricação de têxteis teve uma retração de 9,1% em novembro, frente a igual período de 2017, impactando os resultados do setor - Foto: Alisson J. Silva

A produção industrial mineira manteve o ritmo de crescimento em novembro na comparação com outubro, mas apresentou baixas em todas as demais bases de comparação. Frente ao mês anterior, foi observada alta de 0,7%, enquanto em relação a igual período de 2017 houve queda de 0,6%.

Com isso, o parque industrial do Estado contabilizou perda de 1,2% no acumulado de janeiro a novembro de 2018 e de 1,3% nos últimos 12 meses.

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os principais destaques negativos no Estado vieram dos setores de produtos alimentícios, fabricação de metal, exceto máquinas e equipamentos, e fabricação de produtos têxteis.

No País, apenas seis dos quinze locais pesquisados mostraram taxas positivas, incluindo Minas Gerais. Pernambuco (1,4%), Paraná (1,1%), Ceará (0,9%), São Paulo (0,7%) e Rio Grande do Sul (0,4%) completaram o conjunto de locais com resultados positivos em novembro de 2018. Nesse mesmo período, a produção nacional apresentou acréscimo de 0,1%.

Por outro lado, Goiás, com redução de 6,2%, apontou o recuo mais elevado no penúltimo mês do ano. Amazonas (-3,5%), Rio de Janeiro (-2,2%), Pará (-1,3%), Bahia (-1,2%), Santa Catarina (-0,9%), Região Nordeste (-0,8%), Espírito Santo (-0,8%) e Mato Grosso (-0,4%) também assinalaram índices negativos em novembro de 2018.

Conjuntura – A economista do IBGE Minas, Cláudia Pinelli, explicou que os resultados observados no Estado foram consequência da conjuntura econômica nacional. Segundo ela, o aumento da produção industrial de novembro na comparação com outubro, por exemplo, foi fruto do aumento da demanda em função do Natal, enquanto sobre os demais períodos comparativos, pesou o ambiente ainda instável e a lenta retomada da economia brasileira.

“Em novembro, as indústrias já estão entregando seus últimos pedidos e atendendo algumas encomendas de última hora. No ano passado, nem mesmo o aquecimento tradicional dessa época foi suficiente para elevar os resultados de tal maneira que superassem os números do ano anterior – que já tinham sido bem ruins”, comentou.

Dessa forma, segundo ela, é bem provável que o parque industrial do Estado encerre 2018 com desempenhos aquém dos registrados em 2017. “Tanto os consumidores quanto os empresários aguardam maior estabilidade na política para voltarem a consumir e a investir de fato. Por enquanto, só há expectativas”, disse.

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Segmentos – De acordo com o balanço do IBGE, o desempenho negativo de 0,6% em novembro do ano passado sobre o mesmo mês de 2017 foi impulsionado pelas quedas nos setores de produtos alimentícios (-10,2%), fabricação de metal, exceto máquinas e equipamentos (-9,9%) e fabricação de produtos têxteis (-9,1%) principalmente.

Na outra ponta, destacaram-se positivamente as atividades de fabricação de máquinas e equipamentos (20,4%), extrativas (4,6%) e fabricação de celulose, papel e produtos de papel (4,4%).

No acumulado do ano, período em que a produção industrial mineira caiu 1,2% em relação ao período de janeiro a novembro de 2017, os destaques negativos ficaram por conta da fabricação de metal, exceto máquinas e equipamentos (-10,7%), produtos têxteis (-8,1%) e produtos alimentícios (-7,1%).

Do outro lado, as atividades de máquinas e equipamentos (23,2%), metalurgia (5,2%) e fabricação de outros produtos químicos (3,3%) tiveram os melhores desempenhos nesse período.

Já no acumulado dos últimos 12 meses, quando a indústria do Estado recuou 1,3%, o pior desempenho setorial foi observado também na fabricação de metal, exceto máquinas e equipamentos (-10,5%) e o melhor, na produção de máquinas e equipamentos (24,3%).