Crédito: Renato Cobucci/ Imprensa/ MG

A paralisação parcial da atividade de mineração em Minas Gerais desde o rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ocorrida em janeiro, continua impactando a produção industrial do Estado. Em abril, o desempenho do parque produtivo mineiro ficou estável em relação ao mês imediatamente anterior. Já na comparação com o mesmo intervalo do ano passado a queda atingiu 10,9%.

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além do setor extrativo mineral, que puxou o resultado para baixo, amenizaram as quedas as atividades de veículos automotores, metalurgia, fabricação de produtos têxteis e bebidas.

Em abril na comparação com março na série com ajuste sazonal, a produção industrial de Minas apresentou avanço de 0,1%.

Na comparação com igual mês do ano anterior, o setor industrial mineiro apresentou queda de 10,9%. Já em âmbito nacional, nove dos quinze locais pesquisados apontaram resultados negativos. Neste sentido, a economista do IBGE Minas, Cláudia Pinelli, explicou que influenciou não somente os impactos da mineração, mas também a conjuntura econômica nacional.

“Na verdade, o impacto do setor extrativo foi tão intenso que superou inclusive o ambiente de incertezas que paira sobre o cenário econômico e vem prejudicando os resultados mês a mês”, disse.

De toda maneira, a especialista ponderou que os desempenhos dos setores de veículos automotores, metalurgia e fabricação de produtos têxteis e bebidas amenizaram as perdas no confronto dos meses de abril de 2018 e 2019.

Para se ter uma ideia, a indústria extrativa recuou 40,4% em abril deste ano frente a abril do ano passado. Por outro lado, a fabricação de produtos têxteis avançou 13,8%, a de celulose, papel e produtos de papel 9,6%, de bebidas 7,4% e a de veículos automotores 7,3%.

Quadrimestre – Nos quatro primeiros meses de 2019 Minas apurou baixa de 4,8% na produção industrial sobre a mesma época do exercício passado.

Nesse período, a indústria extrativa recuou 20,4% no Estado, enquanto a indústria de bebidas registrou avanço de 7,2%, a fabricação de máquinas e equipamentos de 6,2%, a fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos de 5,1% e a fabricação de celulose, papel e produtos de papel de 4,2%.

Assim, no acumulado dos últimos 12 meses, a indústria mineira já registra recuo de 2,6% sobre igual período anterior. Segundo Cláudia Pinelli, o cenário somente poderá ser revertido, com a recuperação do ambiente econômico nacional e a retomada das operações no setor extrativo mineral.

“Enquanto não houver a retomada do setor extrativo teremos esse efeito negativo na produção, pois o Estado é altamente dependente da atividade. As consequências poderão diminuir nos próximos meses, em função da recuperação de outras áreas, mas ainda irão perdurar por algum tempo”, estimou.

No País, dez regiões tiveram crescimento

Rio – A produção industrial cresceu em dez dos 15 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na passagem de março para abril deste ano. Segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional, divulgados ontem, as maiores altas foram observadas em Pernambuco (8,3%), Bahia (7,4%) e Região Nordeste, que congrega os dados dos nove estados (6,1%).

Outros estados que tiveram alta na passagem de março para abril foram Mato Grosso (5,1%), Ceará (3,7%), São Paulo (2,4%), Rio Grande do Sul (2,3%), Santa Catarina (1,3%), Paraná (0,3%) e Minas Gerais (0,1%).

Seguindo a tendência contrária à alta nacional de 0,3%, cinco estados tiveram queda. O destaque ficou com o Pará, cuja indústria recuou 30,3%. Outros locais com redução na produção foram Espírito Santo (-5,5%), Rio de Janeiro (-4,5%), Goiás (-1,4%) e Amazonas (-1,2%).

Na comparação com abril do ano passado, apenas seis locais tiveram alta, com destaque para Ceará (6,5%) e Rio Grande do Sul (6,3%). Nove locais tiveram queda.

Nesse mês, Pará (-31,0%), Espírito Santo (-18,0%) e Minas Gerais (-10,9%) assinalaram recuos de dois dígitos e os mais intensos, pressionados, principalmente, pelas quedas observadas nos setores de indústrias extrativas, no primeiro local; de indústrias extrativas e celulose, papel e produtos de papel, no segundo; e de indústrias extrativas, no último.

Rio de Janeiro (-8,8%) e Goiás (-5,9%) também tiveram taxas negativas mais acentuadas do que a média nacional (-3,9%), enquanto Mato Grosso (-3,9%), São Paulo (-2,5%), Bahia (-1,2%) e Região Nordeste (-0,9%) completaram o conjunto de locais com recuo na produção nesse mês.

Por outro lado, Ceará (6,5%), Rio Grande do Sul (6,3%) e Amazonas (4,0%) apontaram os avanços mais acentuados em abril de 2019, impulsionados, em grande parte, pelo comportamento positivo vindo das atividades de produtos de metal, couro, artigos para viagem e calçados e bebidas, no primeiro local; de veículos automotores, reboques e carrocerias e outros produtos químicos, no segundo; e de bebidas, no último. Pernambuco (3,3%), Santa Catarina (3,2%) e Paraná (2,1%) também mostraram taxas positivas no mês.

No acumulado do ano, 11 locais tiveram queda, com destaque para Espírito Santo (-10,3%), e quatro tiveram alta. Paraná e Rio Grande do Sul tiveram os maiores crescimentos (6,2% cada um).

De acordo com o IBGE, no acumulado de 12 meses, dez locais tiveram queda, sendo a maior delas (-4,9%) em Goiás. Cinco locais tiveram alta na produção, com destaque para o Rio Grande do Sul (6,6%). (ABr)