Crédito: Ricardo Teles

O impacto da tragédia da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na economia mineira vem se intensificando. Em março, a produção industrial em Minas mostrou retração em todas as bases comparativas, conforme divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo a analista do IBGE Minas, Cláudia Pinelli, o resultado negativo foi puxado principalmente pela queda na mineração no Estado, que se soma ao cenário de baixa atividade econômica no País. A redução mais intensa da atividade industrial, de 8,2%, foi registrada na comparação de março deste ano com igual mês de 2018. Nesse mesmo comparativo, a indústria extrativa caiu 28,6%.

“É uma queda acentuada em atividade com peso muito grande no Estado. Qualquer queda traria consequências e, nessa magnitude, os efeitos vêm fortes”, diz a analista do instituto.

No trimestre, a retração da produção industrial foi de 2,5%. Na passagem de fevereiro para março, a perda foi de 2,2%, sendo mais intensa do que a nacional, que registrou queda de 1,3% nessa base comparativa. Com isso, segundo Cláudia Pinelli, o desempenho da indústria mineira no acumulado de 12 meses caiu 1,3%. Ela explica que esse dado é preocupante porque, até então, nessa base comparativa, as perdas estavam diminuindo. “Em março, as perdas se acentuaram, o que indica a perda de dinamismo da atividade”, disse.

“Esse é o reflexo do que estamos acompanhando: a economia não dá sinais de recuperação, havendo uma estagnação. Os setores estão aguardando a votação da reforma da Previdência e ainda sem saber se essa medida será suficiente para melhorar a economia. É um cenário de incerteza. Em Minas, há o agravante da retração da mineração”, diz Cláudia Pinelli.

Ela pondera ainda que somado ao ambiente de incerteza está o indicador do mercado de trabalho, que não mostra recuperação, impactando no rendimento das famílias e gerando perdas em segmentos de comércio, serviços e indústria.

Em Minas, outro setor que preocupa é o de veículos automotores, que registrou queda de 9,3% em março, na relação com igual mês do ano passado. Segundo Cláudia Pinelli, outros estados, como o Paraná, mostraram bom desempenho nesse setor. Ela informa que esse resultado pode estar ligado a questões de mercado e da renda das famílias.

Ainda na comparação março 2019/março 2018, os setores que mostraram queda foram outros produtos químicos (-15,4%); produtos têxteis (-10,7%); produtos de minerais não-metálicos (-5,4%); indústrias de transformação (-2%); fabricação de produtos alimentícios (-1,8%); metalurgia (-1,1%).

Positivo – Os resultados positivos vieram da fabricação de bebidas (+8,2%); fabricação de máquinas e equipamentos (+6,4%); fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (+5,8%); produtos de fumo (+5,1%); de celulose, papel e produtos de papel (+1,8%); fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (+0,6%).

Acumulado – No primeiro trimestre, em relação a igual período de 2018, a retração da indústria extrativa foi de 13,3%. Os outros setores que registraram queda foram produtos do fumo (-8,1%); produtos têxteis (-7,5%); outros produtos químicos (-7,1%); veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,6%). Mostraram resultados positivos produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (+9,1%); máquinas e equipamentos (+8,3%); bebidas (+7,1%); coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+4,9%); produtos de minerais não-metálicos (+2,7%); celulose, papel e produtos de papel (+2,5%); metalurgia (+1,5%); indústria de transformação (+1%); produtos alimentícios (+0,5%).

Quanto à variação nos 12 meses, a perda mais acentuada vem de produtos têxteis (-10,7%). Em seguida estão produtos do fumo (-9,5%); produtos alimentícios (-6,5%); produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-6,4%); de veículos automotores, reboques e carrocerias (-5,2%); indústria extrativa (-2,5%); outros produtos químicos (-1,8%); transformação (-0,9%);

O destaque positivo foi a fabricação de máquinas e equipamentos, com aumento de 20,4%. Segundo Cláudia Pinelli, esse resultado mostra que há uma continuidade dos investimentos para manutenção do parque industrial. Também mostraram crescimento a indústria de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (+5,9%); produtos de minerais não-metálicos (+3,3%); metalurgia (+3,2%); bebidas (+2,1%); celulose, papel e produtos de papel (+0,4%).

IBGE registra recuo em nove regiões

Rio – Nove dos 15 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tiveram queda na produção industrial. Segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional, divulgada ontem, os recuos mais intensos ocorreram no Pará (-11,3%) e na Bahia (-10,1%).

Também tiveram queda na produção Mato Grosso (-6,6%), Pernambuco (-6%), Minas Gerais (-2,2%), Ceará (-1,7%), São Paulo (-1,3%) e Amazonas (-0,5%).

A região Nordeste, única pesquisada de forma conjunta, teve redução de 7,5%. Com isso, a produção nacional fechou com redução de 1,3%, conforme divulgado na semana passada.

Por outro lado, seis locais tiveram alta na produção: Espírito Santo (3,6%), Rio de Janeiro (2,9%), Goiás (2,3%), Paraná (1,5%), Santa Catarina (1,2%) e Rio Grande do Sul (1%).

Na comparação com março do ano passado, 12 locais apresentaram queda, com destaque para Pará (-12,5%) e Mato Grosso (-12,3%). Dos três locais com alta, o melhor resultado foi obtido pelo Rio Grande do Sul (3,4%).

No acumulado do ano, dez locais tiveram queda na produção. A maior delas foi no Espírito Santo (-8,5%). Dos cinco locais com alta, o principal crescimento deu-se no Paraná (7,8%).

Já no acumulado de 12 meses, foram nove locais em queda, com destaque para Goiás (-4,1%) e seis com alta, sendo a maior no Pará (7,2%). (ABr)