Produção em Minas Gerais caiu 4,3% no acumulado de janeiro a maio - Crédito: Divulgação

A produção da indústria extrativa de Minas mostrou recuo de 43,7% em maio no comparativo com igual mês do ano passado, sendo a retração mais acentuada desde a tragédia da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Com isso, a produção industrial no Estado mostrou queda de 1% na passagem de abril para maio e de 2,4% na comparação com o mesmo mês de 2018.

No acumulado de janeiro a maio, a redução foi de 4,3%, enquanto em 12 meses a retração chegou a 2,1%. As informações foram divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A queda na indústria geral está muito relacionada com a grande retração da indústria extrativa, que ainda sente o efeito do acidente da barragem em Brumadinho”, comenta a analista do IBGE Minas, Cláudia Pinelli. Além disso, segundo ela, a queda nos resultados acumulados da indústria geral ainda indica a dificuldade de recuperação do setor, sob influência do ambiente econômico e político que o País vive.

Por outro lado, Cláudia Pinelli indica que o resultado favorável de outros setores, como automóveis e bebidas, contribuiu para que a queda nos resultados da indústria fosse suavizada. Ela alerta, no entanto, que maio requer um cuidado extra na análise de dados, já que a base comparativa é fraca devido à ocorrência da greve dos caminhoneiros em maio de 2018.

De acordo com o levantamento do IBGE, o resultado apresentado em Minas está pior que o nacional, que registrou queda de 0,2% na passagem de abril para maio.

Nessa base comparativa, Minas ocupa a quarta posição entre as unidades da federação que apresentaram retração, ficando atrás do Espírito Santo (-2,2%), Rio Grande do Sul (-1,4%) e Santa Catarina (-1,3%).
No País, a produção industrial registrou alta de 7,1% na relação maio 2019/maio 2018. De janeiro a abril, houve queda de 0,7%, enquanto no acumulado de 12 meses foi registrada estabilidade (0%).

No Brasil, em maio, o destaque positivo veio do Pará, com aumento atípico de 59,1%. Segundo o IBGE, o avanço mais elevado em maio ocorreu pela retomada da produção no setor extrativo após o maior volume de chuvas em abril.

Em Minas, a retração da indústria extrativa foi de 43,7% na variação mensal (maio 2019/maio 201). No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, houve queda de 25,8%, enquanto no acumulado de 12 meses foi registrada redução de 9,3%. Outra queda acentuada veio da fabricação de outros produtos químicos, com queda de 39,7% na comparação mensal; retração de 17,7% no acumulado deste ano até maio e redução de 8,2% no acumulado de 12 meses.

Na base maio 2019/maio 2018, todos os demais segmentos mostraram alta, sendo a mais acentuada na indústria de veículos automotores, reboques e carrocerias, com crescimento de 35,3%. No acumulado do ano houve alta de 5,6%, enquanto em 12 meses foi registrada queda de 1,9%.

A fabricação de bebidas registrou as seguintes altas: 32% na relação mensal; 11,4% no ano; 6,6% no acumulado de 12 meses. A indústria alimentícia mostrou alta de 13,4% na relação mensal e de 1,4% no ano, entretanto mostrou retração de 5,4% no acumulado de 12 meses. A produção de fumo subiu 6,6 entre maio 2019/maio 2018, mas registrou queda de 3% no ano e de 6,9% no acumulado de 12 meses.

No segmento de celulose, papel e produtos de papel houve avanço de 27,5% no comparativo mensal; de 8,3% no ano e de 4,9% no acumulado de 12 meses. Quanto aos produtos têxteis, houve avanço de 20,3% na relação mensal e de 1,4% no ano, mas foi registrada queda de 5,3% nos 12 meses.

Transformação – Já a indústria de transformação registrou alta de 13,2% em maio no comparativo com igual mês do ano passado, com elevação de 2,9% no ano e de 0,3% no acumulado de 12 meses. Fabricação de máquinas e equipamentos mostrou avanço de 24,6% no comparativo maio 2019/maio 2018; de 10,3% no ano e de 17,5% no acumulado de 12 meses. A indústria de produtos de metal (exceto máquinas e equipamentos) mostrou alta de 0,7% na relação mensal, com alta de 4,4% no ano e queda de 4,4% no acumulado de 12 meses.

Na metalurgia foram apresentadas as seguintes altas: 13,4% no comparativo mensal; 4,6% no ano e 4,7% em 12 meses. Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis teve alta de 4,9% na relação mensal; de 1,8% no ano e de 5,2% no acumulado de 12 meses. Fabricação de produtos de minerais não metálicos tiveram alta de 13,5% na relação mensal; de 3,6% no ano e de 3,6% no acumulado.