Expectativa é de que, até o fim de maio, a colheita do café alcance 16% do volume estimado para o ano - CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

A produção total de café em Minas Gerais deve alcançar 26,4 milhões de sacas de 60 quilos na safra 2019. O volume é 20,7% inferior ao registrado no ano passado, quando foram colhidas 33,36 milhões de sacas. A queda produtiva já era esperada e se deve à bienalidade negativa da cultura.

Minas Gerais é o maior estado produtor de café do País. Neste ano produtivo, o volume a ser colhido em Minas responderá por 51,9% da produção nacional, estimada em 50,92 milhões de sacas de 60 quilos. Os dados são do Segundo Acompanhamento da Safra Brasileira de Café, divulgado, ontem, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A área total ocupada com os cafezais em produção, no Estado, é de 986,7 mil hectares, variação negativa de 2,2% frente à safra anterior. A produtividade média das lavouras de café conilon e arábica foi estimada em 26,8 sacas de 60 quilos por hectare, uma redução de 19% quando comparada com o volume de 33 sacas colhidas na safra anterior.

No Estado, a produção de café arábica será de 26,11 milhões de sacas de 60 quilos, que, devido à bienalidade negativa, ficará 20,8% menor do que as 32,9 milhões de sacas colhidas anteriormente. A área em produção ficou 1,9% menor, com os cafezais ocupando 977 mil hectares. A produtividade média da produção de arábica está estimada em 26,73 sacas por hectare, volume 19,3% menor.

De acordo com o superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Cleverton Santana, em geral, o clima foi favorável para o desenvolvimento da safra de café no Estado. A projeção é de que, até o final de maio, a colheita do grão alcance 16% da estimativa.

“Em Minas Gerais, as precipitações acumuladas no período de floração e início do enchimento dos grãos, apesar de pouco menor, foi bem considerável e favoreceu não só a floração, mas também o bom enchimento dos frutos. Em relação a 2019, nos últimos 90 dias, na formação dos frutos e início da colheita, choveu muito em regiões que estavam iniciando a colheita e isso atrasou um pouco o processo. Em janeiro, choveu pouco e as temperaturas ficaram bem elevadas, o que prejudicou a produção na região das Matas de Minas. O mesmo aconteceu na região Norte, porém, o impacto na produção mineira é menor, devido ao baixo volume colhido na região”, explicou Santana.

Regiões – A produção de café no Sul e Centro-Oeste de Minas Gerais deve alcançar 14,7 milhões de sacas de 60 quilos, indicando uma redução de 17,6% em relação à safra passada. De acordo com a Conab, a queda está atrelada aos efeitos da bienalidade negativa, além de fatores como o veranico registrado ao longo do ciclo e a florada antecipada e desuniforme.

Em compensação, os técnicos da Conab destacam que um grande volume de lavouras plantadas entre 2015 e 2016 entrou em produção plena nesta safra, o que reduziu, em parte, o impacto do clima. Dessa forma, a produtividade média estimada até o momento para a região é de 29,84 sacas por hectare, retração de 19% em relação a 2018. A área em produção é de 494,4 mil hectares, variação negativa de 3,8%.

Na região do Cerrado Mineiro, a expectativa é de uma redução de 30% no rendimento médio esperado, em comparação à safra anterior, alcançando 26,4 sacas de 60 quilos por hectare. Quanto à produção, a estimativa é de que sejam colhidos 4,9 milhões de sacas, queda de 31,3%. A área produtiva, 185,7 mil hectares, está 1,8% inferior.

Na região da Zona da Mata, a previsão é de uma produção na ordem de 6,1 milhões de sacas de café, representando diminuição de 18,8% em relação ao volume obtido na temporada anterior. A principal justificativa para essa redução está na queda do rendimento médio, decorrente da bienalidade negativa e dos efeitos causados pela seca ocorrida na região ao longo do ciclo produtivo. De forma geral, a produtividade média deve recuar 19,5%, chegando a 21,83 sacas por hectare. A área ocupada pelos cafezais em produção apresentou pequena alta de 0,9% com o uso de 281,28 mil hectares.

Na região Norte de Minas, Jequitinhonha e Mucuri, a produção está estimada em 648,2 mil sacas de café, sinalizando redução de 15,1% em relação à safra anterior. O rendimento médio esperado é de 25,52 sacas por hectare, o que representa uma redução de 11,7%. A área em produção ficou 3,8% menor, com o uso de 25,4 mil hectares.

Conab também projeta queda para o País

São Paulo – O Brasil deverá produzir 50,92 milhões de sacas de 60 quilos de café em 2019, uma redução de 17,4% ante 2018, estimou ontem a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com impacto da bienalidade negativa da safra de arábica este ano e efeitos das altas temperaturas e escassez de chuvas entre dezembro e janeiro em algumas regiões.

A segunda previsão da estatal para a produção deste ano ficou mais perto do piso do intervalo da projeção anterior, de 50,5 milhões a 54,5 milhões de sacas, que havia sido divulgada em janeiro, ainda com a safra em desenvolvimento.

Neste momento, cafeicultores do maior produtor e exportador global já começaram a colheita de café em algumas regiões.

O levantamento aponta que a produção de café arábica do Brasil deverá atingir 36,98 milhões de sacas (-22,1% ante 2018), ficando no centro do intervalo previsto em janeiro (entre 36,1 milhões e 38,1 milhões de sacas).

Já a produção de café robusta (conilon) foi prevista em 13,9 milhões de sacas, abaixo do intervalo de 14,4 milhões a 16,3 milhões de sacas da previsão anterior. Se for confirmada, a safra dessa variedade teria uma queda de 1,7% na comparação anual.

A queda na produção esperada para 2019 deverá ocorrer após um recorde na colheita de 2018, acima de 61 milhões de sacas. Apesar de um recuo anual, a safra deste ano ainda será a maior para anos de baixa bienalidade do arábica, que tipicamente intercala produtividades maiores e menores um ano após outro.

Mercado – A grande safra, uma das maiores do Brasil, deve ajudar a manter os mercados abastecidos – os preços futuros da commodity, próximos de mínimas em mais de uma década na bolsa de Nova York, sinalizam isso.

Nos últimos anos, em meio à redução de área plantada, “é notório” o ganho de produtividade que os produtores brasileiros têm alcançado com a aplicação de novas tecnologias na cultura, ressaltou a Conab.

Para a safra 2019, a produtividade média da safra brasileira (arábica e conilon) foi estimada em 27,63 sacas/hectare, redução de 16,5% em relação à temporada passada.

“Tal diminuição deve ocorrer em quase todas as principais regiões produtoras, principalmente naquelas que dispõem de café arábica, devido aos impactos ocasionados pela bienalidade negativa, além das condições climáticas desfavoráveis registradas entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019”, afirmou a estatal em nota.

O arábica, espécie mais influenciada pela bienalidade, teve produtividade estimada em 25,16 sacas/ha, queda de 20,7% ante 2018. Já produtividade média do conilon nesta safra foi estimada em 37,34 sacas/ha, sinalizando diminuição de 3,3% em relação à temporada anterior.

A área total cultivada no País com café (arábica e conilon) totaliza 2,16 milhões de hectares, equivalente à cultivada em 2018, disse a Conab. Desse total, 319,72 mil hectares (14,8%) estão em formação e 1,84 milhão de hectares (85,2%) em produção.

Na atual safra, a área em produção foi reduzida em 1,1%, enquanto a área em formação aumentou 8,7% em relação à safra passada, um bom sinal para a produção no futuro. (Reuters)