A expectativa do setor de melhora nas vendas no futuro contribuiu para o avanço do Icom/FOTO: CHARLES SILVA DUARTE

De acordo com a 5ª edição do Índice de Confiança Robert Half – ICRH, houve queda na confiança dos brasileiros com relação ao mercado de trabalho atual e futuro. Desde julho de 2017, o estudo faz o mapeamento trimestral do sentimento de profissionais qualificados – empregados e desempregados –, além dos recrutadores, considerados todos aqueles que têm poder de decisão sobre o preenchimento de uma vaga dentro da companhia. Todos os entrevistados têm 25 anos de idade ou mais e formação superior completa.

“O aquecimento do primeiro semestre de 2018 foi mais cauteloso do que os profissionais estavam esperando, então é natural que esse cenário reflita negativamente na confiança geral dessas pessoas. Porém, se fizermos um recorte apenas do sentimento dos recrutadores, é possível ver que, com relação ao momento presente, eles se mantêm no campo da confiança (acima de 50 pontos). Para mim, isso é um sinal de que muitos empregadores estão atentos para não perder a oportunidade de retomarem projetos em benefícios dos negócios”, ressalta o diretor-geral da Robert Half, Fernando Mantovani.

De acordo com o levantamento, o desemprego é 6,7 p.p. menor entre os profissionais qualificados. Dentro desse cenário, Mantovani faz um alerta para que as empresas olhem para dentro de casa e analisem quem são os profissionais-chave e os na linha de sucessão, quais as perspectivas de carreira deles e como está estruturado o plano de retenção da companhia.

“Apesar do cenário incerto nesse período pré-eleição, o momento exige planejamento e não estagnação das ações. Historicamente, o índice de desemprego entre os profissionais qualificados (com 25 anos de idade ou mais e formação superior completa) é inferior ao da média geral. No segundo trimestre, por exemplo, ele ficou em 5,7% contra 12,4% da média geral. Essa realidade deve ser somada ao fato de que está cada vez mais difícil a busca por profissionais de talento e os melhores tendem a ser abordados de maneira cada vez mais agressiva pelo mercado”, explica.

Temporários – Muito comum na Europa e nos Estados Unidos, a contratação de profissionais temporários para cargos de analista a diretor tem ganhado muitos adeptos entre as empresas do Brasil. De acordo com dados da 5ª edição do ICRH, os empregadores têm aderido ao modelo de contratação por três motivos principais: suprir períodos de pico e excesso de trabalho; quando precisa de alguém com um conhecimento específico, mas para apenas um projeto; e para cobrir ausência programada ou emergencial de um profissional importante. Entre as vantagens da contratação foram citadas: o acesso rápido à mão de obra qualificada; o preenchimento rápido de posição-chave; e a redução de custos. Entre os empregadores entrevistados, 82% já efetivaram um profissional contratado inicialmente como temporário.

Destaques – Entre outros pontos destacados na pesquisa estão os desafios no processo de recrutamento. Encontrar profissionais qualificados, reter talentos e criar pacote de benefícios atrativos foram citados como os três maiores desafios dos recrutadores.
Os entrevistados destacaram também a dificuldade na busca por profissionais. De acordo com a Robert Half, 11% dos recrutadores acredita que contratar profissionais qualificados nos próximos seis meses estará um pouco mais difícil.

Perceber que o profissional mentiu no currículo é o principal motivo que faz com que 35% dos recrutadores descartem um candidato já na primeira entrevista. Outros 20% afirmaram não aprovar profissionais que falam mal do antigo empregador.

Os três pontos mais valorizados pelos recrutadores são: apresentação de resultados antigos (citado por 29% dos entrevistados); habilidades técnicas (23%); e perceber que o candidato está realmente interessado na vaga (19%);

Proatividade (citado por 27% dos entrevistados), senso de dono (25%) e perfil multitarefa (25%) são as habilidades mais procuradas pelo mercado, aponta o levantamento da Robert Half.

O Índice de Confiança Robert Half é um indicador de difusão que varia de 0 a 100. Os indicadores de difusão são de base móvel (50 pontos), construídos de forma que os valores acima de 50 pontos indicam agentes do mercado de trabalho de profissionais qualificados confiantes. A 5ª edição do ICRH é resultado de uma sondagem conduzida pela Robert Half entre os meses de julho e agosto de 2018, com base na percepção de 1.161 profissionais, igualmente divididos em três categorias: recrutadores (profissionais responsáveis por recrutamento nas empresas ou que têm participação no preenchimento das vagas); e profissionais qualificados empregados e desempregados (com 25 anos de idade ou mais e formação superior).