O Soja Plus é desenvolvido em Minas há 4 anos e já atendeu 109 fazendas em 15 municípios - Crédito: Jonas Oliveira

A oportunidade de promover a melhoria da gestão ambiental, social e econômica das fazendas produtoras de soja vem estimulando o crescimento do programa Soja Plus em Minas Gerais. O projeto capacita os produtores rurais em relação à legislação brasileira nas áreas de saúde, segurança no trabalho e ambiental e também auxilia na organização das unidades produtoras. Além de tornar as fazendas mais seguras, as ações contribuem para a regularização dos ambientes, o que reduz os problemas com as fiscalizações e contribui para a melhor eficiência.

Para este ano, a meta é iniciar o programa em 48 propriedades localizadas nos municípios de Araxá/Pratinha, Ibiá, Coromandel, todos no Alto Paranaíba, Paracatu, no Noroeste, e Uberlândia, no Triângulo. A adesão ao programa é gratuita e acontece por meio dos sindicatos rurais.

Em Minas Gerais, o Soja Plus é desenvolvido pelo Sistema da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema Faemg), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Cargill e Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

Etapas – Após aderir ao projeto, o produtor rural ou os responsáveis pela administração da unidade (até duas pessoas) participam do curso Qualidade de Vida na Fazenda – NR 31. A norma regulatória estabelece as regras de saúde, segurança e construções rurais.

Após essa etapa, a propriedade é visitada por um estudante da UFV ou por um supervisor de campo. O objetivo da visita é fazer um check list na unidade, avaliando pontos que precisam ser melhorados para garantir a segurança e a organização das propriedades. Dentre os itens checados estão as áreas corretas para armazenagem de agrotóxicos e as condições dos alojamentos e refeitórios de funcionários, por exemplo.

“Depois da avaliação, é repassado ao produtor rural um relatório com as conformidades e as melhorias que necessitam ser implantadas. Às vezes, é preciso fazer várias melhorias e, neste caso, é feito planejamento conforme as condições do produtor. Em média, após seis meses, é feita nova visita para avaliar os pontos de melhoria. As propriedades que aderem ao Soja Plus e implantam as melhorias proporcionam melhor qualidade de vida aos trabalhadores, evitam problemas com as fiscalizações do Ministério do Trabalho, fiscalizações ambientais, e trabalham com maior segurança”, disse o engenheiro agrônomo e analista de agronegócio da Faemg, Caio Coimbra.

Outra ação importante do programa é o fornecimento do kit de placas para mapear a fazenda. No projeto, o material é fornecido de forma gratuita, mas, no mercado, custa em torno de R$ 1,5 mil.

“Os alertas e as sinalizações mostram onde estão as áreas de abastecimento, de Reserva Legal (RL), as Áreas de Preservação Permanente (APP), entre outras. Elas organizam a propriedade e proporcionam maior segurança e qualidade de vida ao trabalhador. Isso é importante para ampliar a produtividade dos funcionários”, explicou o engenheiro agrônomo.

Abrangência – De acordo com dados da Abiove, o programa Soja Plus é desenvolvido em Minas Gerais há quatro anos. Desde 2015, já foram atendidas 109 fazendas em 15 municípios no Estado.

Além de Minas Gerais, o Soja Plus opera nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Goiás, que também são importantes produtores de soja. Desde 2011, contando todos os estados participantes, houve capacitação de 6,5 mil produtores, gerentes e funcionários, além de assistência técnica prestada em 2,15 mil fazendas. As propriedades inscritas no programa produzem 9,43 milhões de toneladas de soja, volume que representa cerca de 8% da produção brasileira da oleaginosa. Nesse período, o projeto investiu R$ 23 milhões diretamente nas fazendas.