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“Nosso luto é a nossa luta”: Com esse mote, será realizada, no próximo domingo, a partir de 10 horas, no Topo do Mundo, em Brumadinho, a 12ª edição do Abrace a Serra da Moeda. Neste ano o protesto em prol da preservação da cadeia montanhosa, que fica a 30 km do centro de Belo Horizonte, passará por mudanças.

O ato será realizado em solidariedade às vítimas do rompimento da barragem de Córrego do Feijão, ocorrido em janeiro, e em repúdio à Vale. Haverá ainda uma homenagem ao Corpo de Bombeiros, que atuou no resgate dos atingidos e das centenas de mortos. A estimativa de público é de 3 mil pessoas, entre autoridades públicas, ambientalistas, comunidades locais, esportistas, grupos culturais e amantes da natureza.

De acordo com a presidente da ONG Abrace a Serra da Moeda, Cristina Vignolo, o ápice do protesto está marcado para acontecer, pontualmente, às 12h28 (horário do rompimento da barragem da Vale no Córrego do Feijão), quando um enorme cordão humano se formará no cume da serra, simbolizando um grande abraço.

Diferentemente das 11 edições anteriores, em que todos os participantes sempre usaram uma camisa branca, a cor preta será escolhida pelos organizadores para reforçar o luto vivido por todos os moradores de Brumadinho, desde dia 25 de janeiro.

“Queremos reivindicar, ou melhor, exigir uma mudança de rumo na condução das políticas econômicas, que vem comprometendo a capacidade de prevenir a sociedade de desastres causados por grandes empreendimentos poluidores. Mais que responsabilizar os envolvidos nesse crime, é preciso evitar que situações semelhantes sejam repetidas”, ressalta Cristina.

Além do abraço simbólico, uma grande performance com 32 artistas está prevista para acontecer durante o evento. O ato, que será dirigido pelo bailarino, ator e coreógrafo mineiro Tiago Gambogi, irá destacar algumas cenas marcantes da tragédia de Brumadinho, entre elas o momento em que os rejeitos da barragem de Córrego do Feijão se romperam, matando pessoas e destruindo toda a região ao redor, e a busca incansável dos bombeiros por corpos e sobreviventes.

“Durante a encenação, alguns atores/performers serão arrastados e/ou carregados por performers-bombeiros. Aos poucos todos se levantam e começam a se pintar com tinta vermelha e lama, de maneira ritualística, ao mesmo tempo em que irão emitir palavras de ordem expressando o descontentamento da sociedade por este genocídio cometido em Brumadinho”, explica Gambogi.

Além de trazer à tona a tragédia ambiental causada pela Vale em Brumadinho, a 12ª edição do Abrace a Serra da Moeda continuará exigindo da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), responsabilidade com a segurança hídrica da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Isso porque o órgão ambiental vem se posicionando favorável à viabilidade de empreendimentos que produzem significativos impactos, especialmente na Serra da Moeda, sem qualquer estudo conclusivo acerca da viabilidade hídrica dessas atividades.