Protesto em Madri para marcar o Dia Internacional da Mulher 08/03/2019 REUTERS/Juan Medina

Brasília – Em pelo menos 45 cidades brasileiras, incluindo 17 capitais, protestos marcaram na sexta-feira (8) o Dia Internacional da Mulher. Os atos da Marcha Mundial das Mulheres defenderam o fim da violência, o respeito aos direitos civis e direitos reprodutivos e sexuais.

As imigrantes e refugiadas, as mulheres com deficiência, a questão da representatividade política, além do respeito aos direitos do público LGBTQIA+ estão entre as bandeiras das manifestações que ocorreram ao longo do dia. A vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), cujo assassinato completa um ano sem solução no próximo dia 14, foi homenageada.

A maior parte da agenda que motivou a mobilização no Brasil coincide com os pleitos que levam às ruas mulheres de outros países nesta data.

No caso brasileiro, o movimento também contesta a reforma da Previdência. Ganha destaque ainda a luta pela democracia, pelos direitos dos povos indígenas e por uma educação não sexista, princípios defendidos, no fiml do mês passado, pela então representante da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), Nadine Gasman, como pilares da igualdade de gênero.

Relatórios recentes, produzidos por diferentes fontes, mostram que, embora as bandeiras da marcha sejam idênticas de um ano para o outro, é necessário manter os temas em discussão. De acordo com levantamentos condensados no site Violência contra as Mulheres em Dados, pelo Instituto Patrícia Galvão, a cada minuto, nove mulheres foram vítimas de agressão, em 2018.

Violência – De acordo com informações da segunda edição do estudo Visível e Invisível – A Vitimização de Mulheres no Brasil e do 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2017, a cada nove minutos, uma mulher sofreu estupro. Além disso, diariamente, 606 casos de lesão corporal dolosa – quando é cometida intencionalmente – enquadraram-se na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006).

O elevado número de estupros envolve um outro crime multiplicado na sociedade brasileira: o assédio sexual. Dados de 2015 da organização não governamental (ONG) Think Olga, as brasileiras são sexualmente assediadas, pela primeira vez, aos 9,7 anos de idade, em média.

Em 2013, a pesquisa Percepção da Sociedade sobre Violência e Assassinatos de Mulheres, elaborada pelo Data Popular Instituto Patrícia Galvão, revelou que quase metade dos homens (43%) acreditava que as agressões físicas contra uma mulher decorrem de provocações dela ao ofensor. A proporção foi menor entre as mulheres: 27%.

De janeiro de 2014 a outubro de 2015, informou a ONG Think Olga, as buscas por palavras como “feminismo” e “empoderamento feminino” cresceram 86,7% e 354,5%, respectivamente.

Igualdade – Ativistas pela igualdade de gênero marcaram o Dia Internacional da Mulher, na sexta-feira (8), com protestos, painéis de discussão e comemorações. Em um dos primeiros protestos do dia, centenas de mulheres se reuniram no centro de Madri (foto) por volta da meia-noite (horário local) para bater panelas e frigideiras e exigir mais direitos para as mulheres em uma sociedade que, segundo elas, ainda é dominada por homens.

A desigualdade de gênero tornou-se uma questão profundamente controversa na Espanha antes da eleição parlamentar de 28 de abril. Um novo partido de extrema-direita, o Vox, cujas pesquisas de opinião apontam que conquistará assentos, defende a revogação de uma lei histórica sobre violência de gênero.

A capital espanhola foi palco de outro protesto contra a violência de gênero e o patriarcado na manhã desta sexta-feira, envolvendo cerca de 200 mulheres ciclistas.

Antes de montarem em suas bicicletas para protestar do lado de fora da sede do conservador Partido Popular (PP), as mulheres leram um manifesto e fizeram uma dança coreografada, cantando: “Sem violência, eles não podem nos controlar”.

Muitas usavam jaquetas, calças e bolsas roxas – cor simbólica usada por ativistas dos direitos das mulheres. “Não consigo imaginar não estar aqui, sou uma mulher e isso me preocupa diretamente”, disse Lucía Sánchez, de 40 anos, que veio de bicicleta com outras amigas.

Em Paris, manifestantes da Anistia Internacional se reuniram diante da embaixada da Arábia Saudita para empunhar cartazes em defesa dos direitos das mulheres e pediram a libertação de mulheres ativistas, incluindo aquelas que fizeram campanha pelo direito de dirigir em um local profundamente conservador.