A PUC-Minas vai investir R$ 3 milhões em projeto inovador - Foto: Alisson J. Silva

THAÍNE BELISSA

Não é novidade que muitas startups têm na universidade seu berço. Mas, muito mais que lançar a semente de negócios inovadores, a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas) quer apoiar startups já em desenvolvimento e trazê-las “de volta” ao ambiente da universidade, desta vez não mais para incubação, mas para aceleração. Para isso, acaba de lançar o programa PUC Tec, que vai investir cerca de R$ 3 milhões em 40 startups na primeira rodada de aceleração, que inclui mentorias, conexão com o mercado e consultoria com especialistas.


O coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica da PUC Minas (NIT), Humberto Torres Marques Neto, destaca que a instituição faz um movimento inovador ao atrair startups de fora para o ambiente da universidade. “Normalmente as universidades têm incubadoras e exportam startups. A PUC também faz isso, mas com esse novo programa estamos chamando de volta essas startups”, frisa. Segundo ele, o objetivo do programa é atrair empresas que proponham soluções ou processos inovadores em diferentes áreas do conhecimento. Elas precisam ser um pouco mais maduras e ter um protótipo em processo de comercialização.


“A PUC já auxilia os estudantes na fase de ideação, durante a graduação, por exemplo. Com o PUC Tec queremos ir além: buscamos, por exemplo, o aluno de pós-graduação que, por causa da pesquisa, já está muito envolvido com inovação. É nessa fase que ele descobre muita coisa, cria produtos e processos”, afirma. O coordenador explica que o projeto é aberto para qualquer empresa dentro ou fora do Brasil.


Segundo Neto, o programa investirá, nessa primeira rodada, R$ 3 milhões, dos quais R$ 2 milhões em aporte de capital e o restante em mentoria e consultoria com professores da PUC Minas. “Entre os diferenciais do nosso processo de aceleração está a oferta de consultoria com um especialista. Dentro de cada especificidade das startups encontraremos um professor da PUC que seja especialista e ajude a empresa em seus desafios”, explica.


Ao todo, são seis meses de aceleração divididos em quatro fases. Na primeira, 40 startups são selecionadas para receber mentorias, créditos em cursos da PUC e para ter acesso ao espaço físico da PUC. Dessas, 20 empresas seguem para a segunda fase do programa, estágio em que o investimento de capital começa a ser liberado. Nessa fase, as startups recebem um aporte de capital de R$ 20 mil em troca de 2,5% da participação societária.


Uma nova seleção é realizada e apenas 12 startups seguem para a terceira fase do programa, quando recebem R$ 80 mil de investimento em troca de mais 3,5% da participação societária da startup, o que significa um total de 6% de equity, considerando a segunda fase. Para a última fase seguem quatro startups, que receberão R$ 200 mil em troca de 9% a 14% de participação da empresa, o que significa um total de 15% e 20% de equity, considerando as fases anteriores.


O coordenador explica que uma banca formada por professores da PUC e profissionais do mercado será responsável por selecionar os projetos das startups. Segundo ele, alguns pré-requisitos são importantes para as candidatas, como capacidade de crescimento em escala e oferta de inovação com potencial de grande alcance. As inscrições podem ser feitas a partir do dia 17 de dezembro no www.pucminas.br/puctec.