Os impactos da última onda de inovação tecnológica já podem ser vistos em movimentos dentro das fábricas no País - Créditos: Picasa/Divulgação

As revoluções industriais foram marcos que deixaram registrado na história todo o desenvolvimento da indústria mundial e das tecnologias de produção.

Tendo seu início datado em 1.760, a primeira revolução trouxe ritmo à produção manual e mecanizada com os motores a vapor. Já em 1860, o que destaca o início da segunda revolução é a descoberta da energia elétrica e seu potencial de possibilitar a produção em massa em diversos setores industriais.

Seguindo o compasso da inovação tecnológica, a terceira revolução industrial, no século XX, foi a base para a construção de grande parte dos dispositivos, máquinas e processos que possuímos hoje através da chegada da eletrônica, da tecnologia da informação e das telecomunicações.

Mas quem pensa que a humanidade alcançou seu ápice de desenvolvimento tecnológico, se engana, pois a quarta revolução industrial se encaminha trazendo consigo ainda mais rompimentos de paradigmas em relação à indústria, como o investimento em processos ciberfísicos e a internet das coisas, que segundo o Barômetro Global da Inovação, realizado pela General Eletric em 2018, corresponde a 70% da avaliação de impacto positivo na indústria de acordo os gestores entrevistados.

Dessa forma, as mudanças e transformações digitais do mundo do trabalho colocam especialistas, gestores e empresários a pensar como ficam a produção e gestão industrial em um contexto tão tecnológico?

Segundo o coordenador da pós-graduação em Engenharia e Gestão Industrial do Instituto de Educação Tecnológica (Ietec), Professor Carlos Gati, os impactos da última onda de inovação tecnológica já podem ser vistos em movimentos dentro das fábricas.

“Observando a tendência de automação dos processos, ou seja, a automação com autonomia, é cada vez maior o uso de tecnologias integradas aos processos produtivos e de gestão, principalmente na coleta de dados de controle e monitoramento”, afirma Gati.

O professor dá ainda mais destaque ao ganho de relevância para o controle da produção dentro deste novo universo tecnológico das indústrias, em que o objetivo principal é produzir com qualidade, baixo custo e em quantidade adequada ao consumo. Dessa forma, a produtividade dos processos assume um papel de importância para as fábricas no momento atual.

“Podemos entender o estudo da produtividade como o estudo de métodos e processos aplicáveis ao segmento da produção baseado, preferencialmente, em ações na melhoria dos processos e controles. A produtividade, portanto, é a medida de desempenho feita através da soma de indicadores que relacionam informações básicas como o aproveitamento (uso) dos recursos, qualidade do processo e eficiência (fazer no tempo padrão), além de faturamento e margem (financeira), que dão ao gestor industrial informações mais precisas para tomada de decisões”.

Entretanto, esse cenário propõe uma série de desafios à gestão industrial, pois as transformações digitais de processos, softwares e hardwares dentro das empresas que há muito tempo consolidaram suas bases organizacionais em um modelo tradicional de funcionamento podem significar um período de instabilidade e necessita de atenção.

Gati salienta pontos que merecem cautela aos gestores para que esse processo não seja deficitário e prejudicial às empresas:

“As indústrias devem se preocupar em preparar melhor as lideranças, incentivar a comunicação e integração de pessoas nos processos, implementar a padronização dos processos e métodos, melhorar o planejamento e controle e, mais do que nunca, investir em treinamento e participação qualificação da mão de obra em todas as etapas da produção”.

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Organizações tradicionais estão se adaptando
 
Implantação – Diretamente do chão de fábrica, Sandro Taveira, gerente de Qualidade e das Engenharias de Processo e de Desenvolvimento da empresa do ramo automobilístico Sodecia Minas, avalia através de sua experiência como as transformações digitais têm sido implantadas nas indústrias.

“Ainda há muito mistério sobre as novas tecnologias, inclusive gerando apreensão no mercado industrial. Entretanto, não temos como ‘fugir’ dela, pois somos diretamente dependentes das digitalizações. Os recursos digitais irão e já estão impactando de forma profunda o modelo de gestão industrial. Aquelas empresas e ou departamentos que ainda não cederam às transformações logo se verão forçados a alternar sua cultura organizacional.”

Com MBA em Gestão de Projetos e Processos Industriais pelo Ietec, Taveira acredita que a principal mudança na área está acontecendo nos sistemas de informação.

“As consequências da coleta assertiva de dados sobre a produtividade são vistas nas análises que nos ajudarão em muito a compreendermos as necessidades de determinada indústria e como resultado teremos as tomadas de decisões mais precisas. Claro que para isso precisaremos ter um grande investimento em novas tecnologias, bem como capacitação de nossa mão de obra. A transformação digital é o desafio final para nós gestores. Ela irá impactar não somente as estruturas da indústria e o posicionamento estratégico, mas todos os níveis de uma organização”, acrescenta Taveira.