A queda na atividade e no emprego da construção em Minas foi menos intensa em agosto de 2018, como apontam os dados da Sondagem da Indústria da Construção de Minas Gerais divulgados ontem pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG).

O índice de atividade da Construção marcou 49,5 pontos em agosto, crescendo 3,7 pontos na comparação com julho e ficou mais próximo da linha de 50 pontos, que divide o recuo da elevação. O indicador aumentou 4 pontos em relação a agosto de 2017, quando estava na marca dos 45,5 pontos e foi o melhor para o mês em seis anos.

O indicador de número de empregados avançou pelo segundo mês consecutivo, alcançando 47,2 pontos em agosto. O índice cresceu 2,4 pontos frente a julho, sinalizando recuo do emprego menos intenso do que no mês anterior. O resultado foi o mais elevado para o mês nos últimos seis anos e ficou 1 ponto acima do de agosto do ano anterior.

Por outro lado, houve piora nas expectativas dos empresários para os próximos seis meses. Em setembro de 2018, o indicador de expectativa do nível de atividade recuou 3,7 pontos em relação a agosto e registrou 46,2 pontos. O resultado aponta perspectiva de redução da atividade nos próximos seis meses, após ter sinalizado estabilidade em agosto.

Com relação às expectativas do número de empregados, o indicador recuou 6,2 pontos, saindo de 50 pontos em agosto para 43,8 pontos em setembro. Após a perspectiva de estabilidade no mês anterior, o índice voltou a sinalizar queda do número de empregados para os próximos seis meses.

O indicador de novos empreendimentos e serviços caiu 0,6 ponto entre agosto (46,9 pontos) e setembro (46,3 pontos), apontando maior pessimismo dos construtores. A expectativa de queda na compra de insumos e matérias-primas também foi apontada pela sondagem. O índice decresceu 3,8 pontos frente a agosto, registrando 45,7 pontos em setembro.

A intenção de investimento avançou pelo segundo mês seguido, marcando 28 pontos em setembro contra 26,3 pontos em agosto e 24,1 pontos em julho. No entanto, o crescimento não foi suficiente para reverter a queda acumulada de 6,3 pontos em 2018.

De acordo com o economista e coordenador do Sinduscon-MG, Daniel Furletti, a Sondagem demonstra o atual cenário econômico e político do País e mostra também que o setor da construção tem conseguido controlar as quedas para buscar uma retomada no próximo ano.

“Se o País vai crescer mais no próximo ano, como prevê o Boletim Focus, fatalmente esse crescimento vai passar pelos investimentos na construção civil, que é um setor que gera emprego e renda em uma cadeia produtiva muito longa”, afirmou Furletti.

Custo da construção – Com a menor variação do indicador nos primeiros nove meses do ano, o Custo Unitário Básico de Construção (CUB/m²) na Capital aumentou 0,13% em setembro de 2018 em relação ao mês anterior.

Segundo os dados divulgados pelo Sinduscon-MG, o custo com material de construção registrou a menor alta dos últimos cinco meses, de 0,33%. Os demais componentes do indicador de custos setorial (mão de obra, despesas administrativas e aluguel de equipamentos) permaneceram estáveis em setembro.

Daniel Furletti ressalta que o aumento mais comportado no custo com os materiais de construção é natural e bem recebido pelo setor que vivencia muitas dificuldades. “O resultado foi bastante estável e também reflete um pouco do contexto econômico, com inflação sobre controle. A expectativa é fechar o ano com um aumento pequeno, reflexo das dificuldades vivenciadas pelo setor”, disse o economista.

O custo do metro quadrado de construção em Belo Horizonte, para o projeto-padrão R8-N (residência multifamiliar, padrão normal, com garagem, pilotis, oito pavimentos-tipo e três quartos) passou para R$1.377,58 em setembro, frente aos R$1.375,77 registrados em agosto.

Na composição do CUB/m² a mão de obra representou, em setembro, 55,51%, os materiais de construção responderam por 40,25% e as despesas administrativas/aluguel de equipamentos foram responsáveis por 4,24%.

Os aumentos de preços mais expressivos no período foram observados nos itens bancada de pia de mármore (6,57%), tubo de ferro galvanizado com costura 2 ½” (4,28%) e registro de pressão cromado (3,12).

Nos primeiros nove meses do ano, o CUB/m² registrou alta de 3,53%, com aumento de 4,77% no custo com material e de 2,53% no custo com a mão de obra. O custo com a despesa administrativa cresceu 5% enquanto o custo com aluguel de equipamentos aumentou 6,71%.

Houve alta também nos últimos 12 meses. O CUB/m² registrou aumento de 3,93%, reflexo das variações de 5,76% no custo com material de construção, 2,53% no custo com a mão de obra, 5% nas despesas administrativas e 14,39% no aluguel de equipamentos. (ACD)