Osvaldo Martins de Barros Filho, da pequena Alagoa, foi o pioneiro no País a comercializar queijos pela internet - Foto: Patrícia Cruz/A2FOTOGRAFIA

O queijo artesanal é um dos itens tradicionais da culinária mineira. A iguaria, extraída do leite cru, é responsável pelo sustento de milhares de famílias no Estado, com destaque para os produtos da Serra da Canastra e da região do Serro, ambos certificados com o selo de Identidade Geográfica, ofertado pelo Inmetro com assessoria do Sebrae. Para além desses territórios, produtores de outras regiões mineiras vêm conquistando mercados e alavancando a economia local. É o caso do empreendedor Osvaldo Martins de Barros Filho, da pequena Alagoa, no Sul de Minas (2,7 mil habitantes, a 425 quilômetros de Belo Horizonte), que foi o pioneiro no País a comercializar queijos pela internet.

Tudo começou em 2009, quando Osvaldo de Barros Filho, conversando com produtores locais de queijo (são cerca de 20 micros e pequenas empresas na cidade), percebeu que eles enfrentavam dificuldades nas vendas. Ele resolveu entrar no processo e buscou ajuda no Sebrae. Nascia a Queijo d´Alagoa, o primeiro e-commerce de queijos do Brasil.

Atualmente, a empresa comercializa, por mês, cerca de 100 quilos de queijo no varejo e 600 quilos no atacado. Seus clientes estão por todo o País, principalmente em São Paulo, Minas Gerais, Brasília e Rio de Janeiro, mas os queijos da pequena cidade encravada na Serra da Mantiqueira já chegaram a lugares bem mais distantes, como Novo Hamburgo/RS, Tefé/AM e Pio XII/MA.

Em 2017, a Queijo d´Alagoa participou, na França, do Mondial Du Fromage. Saiu de lá com a medalha de bronze para o queijo Alagoa Grande, superando 600 concorrentes de 42 países. No mesmo ano, o queijo Faixa Dourada ganhou o troféu Super Ouro no III Prêmio Queijos Brasil, distinguindo-se entre aproximadamente 400 participantes de todo o Brasil.

Em 2018, a Queijo d´Alagoa trouxe para Minas Gerais, em abril, o prêmio Melhores do Ano, da Revista Prazeres da Mesa. Os troféus, a qualidade comprovada e a procura cada vez maior pelos queijos têm transformado a realidade da pequena cidade mineira. “Era muito difícil comercializar o queijo. Hoje somos valorizados, temos importância. Nosso queijo foi pra França, pra tudo quanto é lado”, atesta o produtor.

E quanto mais as vendas crescem, mais impulsionam o desenvolvimento da região. Não é raro aportarem na cidade caravanas de ônibus (vindos de Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro…), abarrotados de turistas que, atravessando a Rota do Queijo e do Azeite, vêm conhecer o famoso Queijo d´Alagoa. Eles degustam, participam de “almoço mineiro”, compram e saem a propagar o sabor do mais puro queijo artesanal.