José Eloy dos Santos Cardoso*

O jornalista Mauro Werkema, em artigo recentemente publicado em jornal de Belo Horizonte sob o título “A crítica situação de Minas”, definiu muito bem o que está ocorrendo no Estado. Se o ex-governador Israel Pinheiro da Silva deu mais vida à economia mineira começando pelo “Diagnóstico da Economia Mineira”, publicado pelo BDMG em 1968, que mostrou em quais setores carentes deveria se concentrar os programas operacionais objetivos quando criou o Instituto de Desenvolvimento Industrial de Minas Gerais (Indi), com as decisivas participações da Cemig e do BDMG, criando também a Fundação João Pinheiro e seu Centro de Desenvolvimento em Administração (CDA), nosso Estado, atualmente, só está andando para trás. A exceção fica por conta do saudoso e competente ex-governador Rondon Pacheco que trouxe a Fiat da Itália para se instalar por aqui.

Pior do que nada fazer é se desfazer daquilo que sempre deu certo. Isso foi o caso da incorporação da Companhia de Distritos Industriais de Minas Gerais, também criada por Israel Pinheiro e, desastradamente, incorporada pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). Essa incorporação foi um verdadeiro desastre, porque não deu depois disso nenhum prosseguimento ao bom trabalho desenvolvido em Minas Gerais, e foi até pior. Procurou a Codemig se desfazer de todos os distritos industriais, transferindo-os para as prefeituras do interior. Com problemas de pagamento de despesas de custeio até da folha do funcionalismo, as prefeituras começaram a ter problemas de conservação dos DIs a ela incorporados.

Sem conservação de ruas, vias de acesso, redes de tratamento de esgotos e da captação de águas e da rede elétrica, os distritos industriais que poderiam ser a solução, viraram mais um problema para as prefeituras do interior. Além disso, as prefeituras interioranas não possuem pessoal especializado em desenvolvimento econômico, não possuem os incentivos estaduais ou federais para atrair empresas para se localizar nos DIs que vão aos poucos se transformando em elefantes brancos. Sem recursos, as prefeituras não terão como melhorar e conservar as infraestruturas existentes ou se aventurar em atrair novas empresas que trariam mais desenvolvimento em termos de impostos e empregos.

Nos anos 70, tive a oportunidade de estagiar no Japão para trazer para Minas Gerais as notáveis experiências de atração e localização industrial que tiraram aquele país da destruição provocada pela Segunda Guerra Mundial. Aplicando o que aprendi em nosso Estado, ajudei a escolher as áreas e as atrações de empresas para as cidades de Extrema, Pouso Alegre, Itajubá e Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, trabalho esse de grande sucesso que transformou a região num novo e poderoso polo de desenvolvimento. É salutar e desejável empreender uma viagem para aquelas cidades para verificar “in loco” o desenvolvimento daquelas áreas do Estado.

Não se trata aqui de ser saudosista, mas, como técnico participante ativo do desenvolvimento mineiro, tenho defendido nas páginas do DIÁRIO DO COMÉRCIO a recriação da Companhia de Desenvolvimento de Minas. No artigo de Mauro Werkema, ele descreve com propriedade a crítica situação nosso Estado. Temos esperança que o novo governador Romeu Zema e seu vice Paulo Brant possam corrigir aquilo que deu errado. Que o Novo, do governador eleito, possa realmente representar uma nova Minas Gerais recriada.

*Economista, professor titular de macroeconomia da PUC-Minas e jornalista