Crédito: Washington Alves/Reuters

O risco de rompimento da barragem Sul Superior da mina Gongo Soco, da Vale, prejudicou ainda mais o comércio de Barão de Cocais, município localizado na região Central de Minas Gerais. O comércio e o turismo já registravam perdas desde as primeiras notícias sobre a possibilidade de um rompimento no início de fevereiro.

De acordo com representantes do município, ainda não foi possível mensurar os prejuízos, mas a situação é considerada crítica. A insegurança tem afetado a demanda por hospedagem, que caiu cerca de 70%, e o comércio já começou a demitir.

De acordo com o prefeito de Barão de Cocais, Décio Geraldo dos Santos, é difícil mensurar as perdas no comércio, no turismo e na economia do município.

“O comércio está sofrendo graves consequências. Digo que consequências até mesmo maiores do que as vivenciadas em cidades onde ocorreram os rompimentos de barragens, que são os casos de Mariana e Brumadinho. A gente vive, infelizmente, essa angústia e incerteza o tempo todo, e o comércio é muito afetado”, afirmou.

Santos explica ainda que o impacto vem sendo sentido em todos os ramos do comércio, desde bares até lojas de materiais de construção. Outro fator que tem impactado de forma negativa é o fechamento das agências bancárias e dos Correios, que suspenderam as atividades na última semana.

“Com essa situação de insegurança, por exemplo, o comércio de materiais de construção foi amplamente afetado. Quem quer construir ou reformar uma casa que pode ser afetada pelo rompimento? Os donos de bares e de diversos outros segmentos não têm tranquilidade para trabalhar. As pessoas estão o tempo todo receosas. São perdas enormes”, destacou.

Turismo afetado – Perdas também são registradas no turismo da região. De acordo com um levantamento feito pela Associação dos Municípios do Circuito Turístico do Ouro (ACO), desde as primeiras notícias de um possível rompimento da barragem da Vale, ocorreu uma queda de 70% na taxa de ocupação da rede hoteleira em Barão de Cocais.

“Barão de Cocais, antigamente, era conhecida como a cidade portal de entrada da Serra do Caraça e, hoje, é conhecida como a cidade da barragem. Isso impacta muito. Até parentes nossos não querem nos visitar. As pessoas têm um cenário de que vai acontecer uma destruição total. Digo que o dono de um comércio em Barão de Cocais que, hoje, está aberto é um herói, porque ele está sendo muito prejudicado”, explicou o prefeito.

Situação ainda mais complicada é dos comerciantes que tiveram que abandonar os empreendimentos por estarem localizados nas áreas de risco e estão sem renda. A Vale, segundo Santos, está fornecendo cartão alimentação de R$ 400.

“O que está acontecendo é um absurdo e está matando a cidade. Além de tudo, com o comércio e o turismo enfraquecidos, já estão acontecendo demissões”.

Em relação ao turismo, desde as primeiras notícias de um possível rompimento da barragem, todos os hotéis da cidade tiveram reservas canceladas e os bares e restaurantes perderam os clientes.

A Associação do Circuito do Ouro – que trabalha na promoção da região – não recebeu nenhuma demanda de solicitação de informações turísticas desde o período do Carnaval. Além da queda no fluxo turístico da cidade e o risco à vida humana, existe uma ameaça real da perda de patrimônio histórico, como, por exemplo, a capela dedicada à Nossa Senhora Mãe Augusta do Socorro, construída em 1737, que pode ser destruída.

“Tendo a mineração como principal atividade econômica na região Circuito do Ouro, obviamente temos sentido um impacto negativo com todo esse cenário das barragens. Especialmente no roteiro ‘Entre Serras da Piedade ao Caraça’, onde está o município de Barão de Cocais, tivemos uma queda nas buscas. Mas, confiamos que essa fase irá passar e poderemos tratar o turismo como prioridade em toda a região”, disse a diretora-executiva da Associação do Circuito do Ouro, Isabella Ricci.

Projeto – Para tentar resgatar a autoestima da população, comércio e turismo, a Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Barão de Cocais (Aciabac) está desenvolvendo um projeto que será lançado ainda na primeira quinzena de junho.

De acordo com o diretor da associação, Bruno Quintão, a iniciativa é fundamental para a retomada do comércio e turismo no município, que foram amplamente prejudicados pelo risco de rompimento da barragem da Vale.

“A associação vai lançar um grande projeto de desenvolvimento do turismo, do empreendedorismo e para o resgate da autoestima da população. Esse projeto vai trabalhar uma marca própria, que foi criada pela associação. Tanto a cidade quanto a população estão precisando desse estímulo. Nosso município é o portal para a Serra do Caraça, um parque muito grande e que reúne cachoeiras, fauna e flora bem diversificadas. Além disso, é uma cidade histórica. O projeto é importante para resgatar tudo isso e atrair o turista novamente”, explicou.