Crédito: Adriano Machado - Reuters

Rio – A reforma da Previdência abrirá espaço para o Brasil ter crescimento sustentado entre 10 e 15 anos, disse à Reuters ontem o ministro da Economia, Paulo Guedes, para quem, sem as mudanças nessa área, o País está fadado a um baixo nível de expansão.

“O buraco negro fiscal impede investimentos. Com a Nova Previdência abrimos espaço para 10 a 15 anos de retomada do crescimento”, afirmou o ministro. Desde 2011, o Brasil cresce em média 0,6% ao ano.

À Reuters, o ministro garantiu que, se a nova Previdência for aprovada dentro dos parâmetros propostos que preveem uma economia de mais de R$ 1 trilhão em dez anos, o Brasil entrará em um ciclo econômico virtuoso.

“Com a Nova Previdência teremos equilíbrio fiscal, retomada de investimentos privados, poupança externa, juros mais baixos”, afirmou o ministro, segundo o qual a nova Previdência “aumenta poupança interna, acelera crescimento e criação de empregos”.

Na véspera, Guedes havia sinalizado que a projeção do governo para a expansão do PIB neste ano foi reduzida para 1,5%.

Na manhã de ontem, o Banco Central divulgou que o IBC-Br, espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 0,28% em março na comparação com o mês anterior, segundo dado dessazonalizado.

Os dados oficiais do PIB serão reportados pelo IBGE no próximo dia 30, mas indicadores antecedentes já apontam enfraquecimento da atividade econômica, com o Banco Central considerando a possibilidade de contração do PIB nos três primeiros meses do ano.

“O Brasil hoje é prisioneiro da armadilha do baixo crescimento”, disse Guedes à Reuters. “Sem a nova Previdência ficaremos mal”, acrescentou.

O ministro se disse “confiante” na aprovação da PEC que muda a regras das aposentadorias e aposta no apoio que vem recebendo dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

“Maia e Alcolumbre são excelentes lideranças no Congresso e estou confiante”, disse, citando os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

A expectativa do governo é que a reforma seja aprovada no segundo semestre, mas até lá há muitos desafios no horizonte.

Por causa da fraqueza adicional da economia, o governo anunciará no fim deste mês novo contingenciamento de recursos, que deve ficar perto de R$ 10 bilhões.

O Executivo ainda tenta no Congresso a aprovação de um crédito adicional para pagar despesas correntes sem infringir a chamada regra de ouro – que proíbe a emissão de dívida para o pagamento de despesas correntes, como salários e aposentadorias.

Sem bloqueios – O programa habitacional Minha casa, minha vida precisa ser melhorado, afirmou ontem o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa, ressalvando que, apesar disso, não haverá bloqueio nos recursos destinados ao programa.

“O programa não terá um centavo de contingenciamento e isso inclusive já foi anunciado”, disse ele em audiência pública na Câmara dos Deputados, acrescentando que o governo está trabalhando para “preservar e melhorar” o Minha casa, minha vida.

De acordo com Costa, a ideia em gestação contempla concentrar mais empreendimentos do programa em terrenos da União. (Reuters)