Produção da oleaginosa é impulsionada por demanda da China - Foto: REUTERS/Nacho Doce

São Paulo – A safra de soja do Brasil colhida em 2018 foi maior do que a esperada, atingindo um recorde de 120,5 milhões de toneladas, o que resultará em exportações ainda maiores, próximas de históricas 80 milhões de toneladas, com a forte demanda da China, apontou ontem Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

No início do mês passado, a associação que reúne as principais tradings e processadoras da indústria de soja havia estimado a produção brasileira deste ano em 119,5 milhões de toneladas, número projetado para a colheita de 2019, que não foi revisado.

Com o aumento da estimativa da safra deste ano, a expectativa de exportação em 2018 para o principal produto da pauta externa do Brasil foi elevada para 79 milhões de toneladas, ante 77 milhões de toneladas no início do mês passado.

O gerente de economia da Abiove, Daniel Amaral, havia dito à Reuters em outubro que alguns operadores acreditavam em uma safra ainda maior, agora confirmada pelos números da associação, permitindo embarques superiores aos projetados previamente.

Ao ser questionado ontem, já com a nova previsão da associação em mãos, Amaral disse em teleconferência com jornalistas que alguns operadores apostam em um número superior às 79 milhões de toneladas, apesar dos baixos estoques de passagem em 2018, projetados pela Abiove em cerca de 1 milhão de toneladas.

“Tem gente que projeta uma exportação maior de soja este ano. Mas vamos fechar o ano com pouco mais de 1 milhão de toneladas em estoques, é apertado”, disse ele.

As exportações de soja do Brasil, maior exportador global, seguem relativamente fortes na entressafra com a forte demanda da China, que está em disputa comercial com os Estados Unidos e taxa a oleaginosa norte-americana em 25 % desde meados do ano.
Com isso, cerca de 80 % das exportações do grão brasileiro estão indo para a China este ano, com o Brasil ganhando mercado no país asiático diante da drástica redução de embarques dos EUA, os maiores produtores globais da oleaginosa.

“Este ano foi desafiador, mas já a partir de janeiro vai ter soja (da safra nova) do Brasil, Paraguai, Uruguai, e a gente volta a ter uma recomposição normal da oferta, e caso esta guerra comercial se resolva, os Estados Unidos voltam a participar, e os preços internacionais voltam a uma normalidade”, declarou.

Compradores de soja têm se queixado da forte alta dos preços do produto, que estão afetando as operações de processadores e produtores de biodiesel.
No acumulado do ano até outubro, as exportações brasileiras somam cerca de 75 milhões de toneladas. Assim, é provável que os volumes para novembro e dezembro sejam relativamente altos para os meses, quando os embarques do Brasil historicamente caem consideravelmente, por ser um período em que os EUA exportam a nova safra.

Diante deste cenário, a Abiove revisou a receita com as exportações de soja neste ano para US$ 31,6 bilhões, ante US$ 30,8 bilhões projetados em outubro. Incluindo farelo e óleo de soja, o faturamento do complexo da oleaginosa neste ano foi visto em US$ 39,15 bilhões, ante US$ 38,3 bilhões na previsão de outubro.

Integrantes do mercado chegaram a especular sobre importações de soja dos EUA pelo Brasil, o que aliviaria a escassez do produto no mercado brasileiro. Mas o gerente da Abiove praticamente descartou. A associação manteve os volumes de importação neste ano em apenas 300 mil toneladas, que deverão vir principalmente do Paraguai.

Ele lembrou que a Argentina, maior exportador de farelo e óleo de soja, está importando o grão norte-americano, após uma severa quebra de safra e também por ter melhores condições logísticas e processadoras próximas aos portos.

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2019 – A Abiove manteve a projeção da safra nova (2019) em 119,5 milhões de toneladas, mas elevou a exportação prevista para o próximo ano para 73,9 milhões de toneladas, versus 71,9 milhões projetados em outubro.

Para o novo ano, a Abiove realizou um corte drástico na exportação de óleo de soja, para acomodar um aumento da mistura de biodiesel no diesel para 11%, a partir de meados do próximo ano. Os embarques de óleo de soja, estimados em 1,450 milhão de toneladas em 2018, vão cair para 400 mil em 2019. (Reuters)