O 12º Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos 2017/18 confirmou a produção recorde em Minas Gerais. Apesar de ter apresentado uma variação positiva de apenas 0,7%, frente ao período anterior, a produção estadual de grãos alcançou 14,17 milhões de toneladas. O desempenho positivo pode ser atribuído, principalmente, ao aumento da produção de soja, que também foi recorde. As expectativas em relação ao novo ciclo de produção são positivas. Além dos bons resultados alcançados na safra 2017/18, a desvalorização do real frente ao dólar deixa o mercado favorável para a exportação.

De acordo com os dados da Conab, a variação positiva na produção foi resultado de uma produtividade 1,4% superior, com o rendimento médio por hectare de 4,23 toneladas. No período, houve redução de 0,8% na área de cultivo, que somou 3,34 milhões de hectares. Para a próxima safra, a tendência é, pelo menos, repetir o resultado da safra atual.

Em relação ao Brasil, a safra 2017/18 foi encerrada com a produção estimada em 228,3 milhões de toneladas, queda de 3,9% frente a anterior, mas, ainda assim, a segunda maior já colhida no País.

Segundo o secretário de Política Agrícola do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Wilson Vaz de Araújo, a tendência para o período produtivo que se inicia é de resultados positivos. “Encerramos a safra dentro do que já vínhamos trabalhando. Os sinais que temos é de que no ano safra que se inicia deveremos ter a mesma direção de comportamento de produção. A safra de verão foi bastante forte e tivemos alguns problemas na segunda por adversidades climáticas”, afirmou.

No entanto, Araújo observa que “as eventuais perdas ou queda de produção, de todo modo, nos produtos que são exportados, foram compensadas pelas taxas de câmbio bastante elevadas. Então, se percebe, de modo geral, que continuamos tendo resultados bastante positivos e deveremos trabalhar com essa perspectiva para o período 2018/19. O agronegócio segue dando indicativos e contribuições fortes para a economia como um todo”.

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Produtos – Dentre os grãos cultivados em Minas Gerais, o destaque foi a soja. A produção estadual alcançou o volume recorde de 5,54 milhões de toneladas, aumento de 9,4% frente às 5 milhões de toneladas colhidas anteriormente, até então o recorde.

A área ocupada com a soja foi de 1,5 milhão de hectares, 3,6% superior à safra passada, mantendo a tendência dos últimos anos. A produtividade teve incremento de 5,6% passando de 3,4 toneladas por hectare na safra anterior para 3,67 toneladas por hectare na safra atual. De acordo com os técnicos da Conab, de modo geral, as condições climáticas favoreceram bastante o desenvolvimento da cultura, assim como a conclusão da colheita.

Algodão – Outro destaque positivo foi a produção de algodão. Em Minas Gerais, a safra apresentou incremento de área na ordem de 60% em relação ao ano passado, com o plantio em 25 mil hectares. O crescimento foi motivado pelos bons preços praticados ao longo de 2017 e pelas expectativas promissoras para o mercado do algodão no Estado.

A produtividade teve acréscimo de 6,1% e totalizou 3,9 toneladas por hectare, o que, segundo a Conab, é justificado pelo aumento do uso de tecnologias, principalmente a irrigação. O aumento estimado para a produção de algodão em caroço é de 70,2%, podendo somar 99,2 mil toneladas. Deste volume, a produção de pluma soma 39,7 mil toneladas, 74,9% maior.

Os técnicos da Conab ressaltam no relatório que a colheita está quase encerrada, restando apenas algumas lavouras cuja semeadura foi mais tardia, e que tende a se estender até outubro. De modo geral, os cotonicultores mineiros estão bastante satisfeitos com o produto colhido. A produtividade superou as expectativas iniciais, a qualidade da fibra é boa e os preços são remuneradores.

Sorgo – Alta também na produção de sorgo. De acordo com a Conab, em Minas Gerais, o crescimento foi de 14,9% na área plantada, motivado pelo fechamento da janela para o plantio do milho safrinha, aumento nos preços da alimentação dos animais, melhor resistência ao clima quente em algumas regiões e o menor custo de produção. Apesar das vantagens, houve redução de 2,9% na produtividade em relação à safra anterior. Mesmo com relativa tolerância ao período seco, a cultura sofreu com o déficit hídrico ocorrido no segundo trimestre do ano. Dessa forma, Minas colheu 732,8 mil toneladas de sorgo, alta de 11,5%.