Apesar de projeção inferior para a temporada, estimativa é de aumento de 52,1% na produção de algodão em pluma - Créditos: Divulgação máximo 4 colunas internas Usada em 11-04-19

Minas Gerais deve colher 13,35 milhões de toneladas de grãos na safra 2018/2019. De acordo com dados do 7º Levantamento da Safra Brasileira de Grãos, divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume previsto para Minas Gerais está 5,8% menor frente ao recorde produtivo registrado na safra anterior, quando o Estado foi responsável pela colheita de 14,1 milhões de toneladas de grãos.

A queda está atrelada às variações climáticas, como chuvas irregulares e altas temperaturas em algumas regiões. Neste ano safra, haverá crescimento na produção de algodão e queda nas culturas da soja e do milho.

No período produtivo 2018/19, a área de plantio no Estado foi ampliada em 1,4%, somando 3,39 milhões de hectares. O rendimento médio das lavouras pode alcançar 3,93 toneladas por hectare, uma queda de 7,1%. A falta de chuvas justifica a retração.

Algodão – Dentre os produtos, destaque positivo para o algodão. Com demanda aquecida e preços rentáveis, os investimentos no plantio do algodão foram ampliados em Minas Gerais. Na safra 2018/19, a previsão é colher 52,2% a mais do produto, o que deverá render 151 mil toneladas de algodão em caroço.

A área destinada ao cultivo cresceu 57,6%, somando 39,4 mil hectares. A estimativa é de uma redução de 3,4% na produtividade, com rendimento médio esperado de 3,8 toneladas por hectare.

A produção de algodão em pluma foi estimada em 60,4 mil toneladas, alta de 52,1%. A produtividade caiu 3,4% com a colheita de 1,5 tonelada por hectare. A produção de caroço de algodão será de 90,6 toneladas, aumento de 52,3%. O rendimento médio estimado é de 2,29 toneladas por hectare, retração de 3,4%.

Assim como nos anos anteriores, a área dedicada ao cultivo da soja foi novamente ampliada. Na safra 2018/19 foram destinados 1,57 milhão de hectares para o cultivo da oleaginosa, variação positiva de 4,4% frente à safra 2017/18.

Devido às condições climáticas desfavoráveis, a produtividade caiu 12,4%, com rendimento médio por hectare estimado em 3,2 toneladas. A expectativa é colher 5 milhões de toneladas de soja, o que, se alcançado, ficará 6,5% maior.

De acordo com o superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Cleverton Santana, o aumento da área de soja em áreas antes dedicadas ao milho e a outras culturas é uma tendência que vem sendo registrada nos últimos anos. Os técnicos da Conab destacam, também, que a maior demanda e liquidez elevada da soja incentivam o maior investimento neste grão.

“O produtor tem utilizado sementes precoces de soja e, com isso, cria-se a possibilidade de plantar a segunda safra, principalmente de milho. Dessa forma, temos observado a expansão da área de soja na primeira safra”.
Já a área de plantio do milho primeiro safra foi reduzida em 9,3%, com o uso de 748,9 mil hectares.

Segundo Santana, a redução era esperada, já que a tendência é plantar mais soja na primeira safra e ampliar o plantio do milho no segundo período produtivo.

Além da queda na área plantada, a produtividade da cultura retraiu 6,5%, com rendimento médio estimado em 6,1 toneladas por hectare. A expectativa é colher, em Minas, 4,57 milhões de toneladas de milho na primeira safra, volume 15,2% inferior ao de igual período da safra passada. Seguindo a tendência dos últimos anos, a segunda safra de milho no Estado crescerá 23,5%, com a colheita de 2 milhões de toneladas.

De acordo com Santana, neste ano, devido às boas condições climáticas durante o plantio da primeira safra, a janela de plantio do milho segunda safra foi favorecida. Com isso, os produtores mineiros ampliaram em 8,6% a área de cultivo do milho segunda safra, destinando à cultura do cereal 368,6 mil hectares. A produtividade média pode crescer 13,7% e somar 5,66 toneladas por hectare.

“A expectativa é de bom rendimento da produtividade do milho na segunda safra, o que foi favorecido pela janela de plantio ideal e pelas condições climáticas que, até o momento, tendem a ser favoráveis para o desenvolvimento e colheita dos grãos”, explicou Santana.

Mesmo com a alta na segunda safra de milho, a produção total do cereal será menor. Ao todo, serão colhidas no Estado 6,66 milhões de toneladas de milho, retração de 6%.

Feijão – Queda também é esperada na produção de feijão. Além da redução de 4,6% na área de plantio da primeira safra, que ficou em 150 mil hectares, as condições climáticas desfavoráveis reduziram em 16,3% a produtividade e o rendimento médio da cultura caiu para 1 tonelada por hectare. A produção da primeira safra será de 158 mil toneladas, retração de 20,1%.

Segundo Santana, com a queda na oferta de feijão primeira safra, os preços foram alavancados e incentivaram os investimentos no segundo período produtivo. Em Minas, houve expansão de 10,7% na área de feijão segunda safra, somando 128,6 mil hectares. A produção esperada é de 183,6 mil toneladas, alta de 31%. Com expectativa de clima favorável, a produtividade pode crescer 18,4% e chegar a 1,4 tonelada por hectare.

País pode ter 2ª maior produção da série

Brasília – A produção de grãos no País cresceu 3,4% em relação à safra passada, o que representa aumento de 7,7 milhões de toneladas. Com isso, no período 2018/2019, a produção de grãos deve alcançar 235,3 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Caso se confirme a projeção da Conab, será a segunda maior produção de grãos da série histórica. Soja, milho, arroz e algodão aparecem como as principais culturas produzidas no País, representando 94,5% da safra. O aumento da área dessas culturas, com exceção do arroz, contribuiu para a elevação de 2,1% em relação à safra anterior, chegando à marca de 63 milhões de hectares.

A produção de soja para a safra 2018/2019, estimada em 113,8 milhões de toneladas, pode alcançar a marca de terceira maior safra da série histórica, mesmo tendo registrado redução de 4,6% frente à safra anterior, que foi até agora o maior recorde.

De acordo com a Conab, o bom resultado da safra de grãos se deve ao aumento de área plantada e contribuiu também a melhora da produção de milho. (ABr)