Apesar do aumento da produção, setor produtivo segue receoso com a queda nos preços e possivel redução nos investimentos - Foto: Divugação

Minas Gerais deve colher na safra 2018 de café cerca de 31,8 milhões de sacas de 60 quilos, volume que, se alcançado, representará um avanço de 30,4% frente à safra anterior. A alta se deve à bienalidade positiva da cultura, à melhoria dos pacotes tecnológicos utilizados nas lavouras e ao clima mais favorável para a produção do café. Apesar do volume alto, o setor produtivo segue receoso em relação ao mercado, uma vez que os preços pagos pelo grão estão abaixo dos custos de produção. O acúmulo de prejuízos por parte dos cafeicultores tende a comprometer a capacidade de investimentos nas próximas safras e provocar quedas importantes na produção.

De acordo com os dados do 3º Acompanhamento da Safra Brasileira de Café, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Minas Gerais segue liderando a produção nacional, respondendo por 68,7% da produção de arábica e por 53,22% da produção nacional. Cerca de 90% da safra mineira já foi colhida.

Somente a produção de café arábica no Estado deve alcançar, no atual período, 31,55 milhões de sacas de 60 quilos, o que, se concretizado, representará um avanço de 30,9% sobre a safra anterior. Em relação ao conilon, a produção foi estimada em 335,8 mil toneladas, variação negativa de 2,3%.

A produtividade média do Estado foi estimada em 31,82 sacas por hectare, alta de 27,7%. A estimativa sinaliza um incremento 2,2% na área em produção, saindo dos 980,7 mil hectares de 2017 para os atuais 1 milhão de hectares.

De acordo com o superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Cleverton Santana, a expectativa de crescimento na produção foi potencializada pelas condições climáticas favoráveis, resultando em excelente granação e elevadas produtividades.

“Minas Gerais é o destaque na produção de café, respondendo por mais de 50% do volume nacional. Na atual safra, o Estado apresentou problemas com a primeira florada, em função da escassez hídrica, mas, ao longo da safra as condições foram mais favoráveis e contribuíram para o bom desenvolvimento da cultura”.

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Mercado – O diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e presidente das Comissões de Cafeicultura da Faemg e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, alerta que, apesar da safra maior, o que é importante para manter o abastecimento dos mercados interno e externo, já que os estoques nos anos anteriores eram os mais baixos da história do País, os preços praticados no mercado podem comprometer as próximas safras do grão.

“O preço praticado no mercado está abaixo do custo de produção e esse é o grande problema para a atividade, que também necessita de políticas adequadas e em tempo correto. Persistindo esta situação de trabalhar com custos maiores que os preços recebidos e com a produção menor no ano que vem, devido à bienalidade negativa, nossa preocupação é que em 2020 tenhamos uma safra menor ainda por comprometimento da capacidade de investimento do cafeicultor. A consequência pode ser a perda, de forma abrupta, do market share que desenvolvemos ao longo dos anos. Para mudar o cenário, é necessário que haja políticas que realmente garantam renda ao produtor e o mantenham na atividade”, explicou Mesquita.

Segurança – Ainda segundo Mesquita, as perdas provocadas por intempéries climáticas são desafios para a continuidade da cafeicultura. Segundo ele, é necessário repensar todo o modelo de financiamento do Brasil, principalmente no que se refere ao seguro.

“É impossível trabalhar sem o mínimo de cobertura e seguro em uma atividade a céu aberto e sujeita a granizo, seca, geadas, e isso não apenas reduz a produção, mas faz com que o Brasil perca posições no mercado internacional. Posições estas que foram conquistadas com muito esforço. Está no momento de buscarmos soluções que tragam renda e segurança para o produtor, não só da cafeicultura, mas da agricultura e pecuária como um todo”, explicou.