Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

A safra de grãos 2018/2019, em Minas Gerais, deve alcançar 13,7 milhões de toneladas. De acordo com os dados do 9º Levantamento da Safra Brasileira de Grãos, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume previsto para o Estado é 2,8% menor frente ao recorde produtivo registrado na safra anterior, quando foram colhidas 14,17 milhões de toneladas de grãos. A retração é resultado de chuvas irregulares em algumas regiões e altas temperaturas em outras localidades mineiras. No atual período produtivo, é esperada elevação no cultivo de algodão e redução na colheita da soja e do milho, importantes produtos da pauta nacional.

De acordo com a Conab, a área de plantio no Estado foi ampliada em 1,7%, somando 3,4 milhões de hectares. O rendimento médio das lavouras foi calculado em 4 toneladas por hectare, queda de 4,4% frente ao período produtivo anterior.

Segundo o superintendente de Informações do Agronegócio da Conab, Cleverton Santana, o clima, ao longo de maio, foi favorável e vai contribuir para o melhor desempenho das culturas que têm plantio de segunda safra.

“Caminhamos para o final da safra 2018/19 e observamos uma melhora na produtividade, principalmente, do milho segunda safra. Ao longo do mês, as chuvas foram importantes e contribuíram para a boa granação e enchimento dos grãos”, explicou Santana.

Nesta safra, a produção total de milho, em Minas Gerais, deve alcançar 7 milhões de toneladas, queda de 0,9% em relação ao volume registrado na safra anterior. A produtividade da cultura está 3,3% maior, com rendimento médio de 6,28 toneladas por hectare. Ao todo, a área dedicada ao cultivo do cereal ficou 4,1% menor, somando 1,11 milhão de hectares.

Na primeira safra de milho, a produção chegou a 4,59 milhões de toneladas, volume 14,8% inferior. No período, houve redução de 9,3% na área de cultivo, que atingiu 748,9 mil hectares. A produtividade foi afetada pelo clima desfavorável e recuou 6%, com a colheita de 6,14 toneladas por hectare. A queda na área de plantio vem sendo registrada ao longo dos últimos anos, uma vez que os produtores priorizam os investimentos na soja durante a primeira safra e ampliam os aportes ao longo da segunda safra de milho.

Na segunda safra de milho, houve expansão significativa da produção. Com o clima mais favorável para desenvolvimento, granação e enchimento dos grãos, a produtividade do cereal cresceu 31,9% e somou 6,57 toneladas por hectare. A expectativa é colher 2,42 milhões de toneladas, o que, se alcançado, ficará 43,3% maior. A área de plantio é de 368 mil hectares, ampliação de 8,6%.

Outro importante produto do agronegócio mineiro, a soja, mesmo com área maior de plantio, teve a colheita reduzida em função do clima. De acordo com os dados da Conab, a produção da oleaginosa ocupou 1,57 milhão de hectares, espaço 4,4% superior aos 1,50 milhão de hectares utilizados na safra 2017/18. Devido às condições climáticas desfavoráveis, a produtividade caiu 12,4%, com rendimento médio por hectare estimado em 3,22 toneladas. A colheita da soja somou 5 milhões de toneladas, volume 8,5% menor.

Algodão em alta – O destaque positivo da safra é a produção de algodão. Diante do bom desempenho das cotações da pluma, os produtores investiram no cultivo nesta safra, ocorrendo incrementos recordes.
No atual período produtivo, a previsão é colher 76,5% a mais do produto, o que deverá render 175,1 mil toneladas de algodão em caroço. A área destinada ao cultivo cresceu 67,2%, somando 41,8 mil hectares. A estimativa é de um aumento de 5,6% na produtividade, com rendimento médio esperado de 4,18 toneladas por hectare.

A produção de algodão em pluma foi projetada em 70 mil toneladas, alta de 76,3%. A produtividade aumentou 5,6%, com a colheita de 1,67 tonelada por hectare. A produção de caroço de algodão será de 105,1 mil toneladas, alta de 76,6%. O rendimento médio estimado é de 2,5 toneladas por hectare, variação positiva de 5,6%.

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A escassez hídrica no início do ano fez com que a produtividade da primeira safra de feijão em Minas recuasse 16,3%, com rendimento de 1 tonelada por hectare. Além da produtividade menor, a área plantada caiu 4,6% com o uso de 150 mil hectares. Com retração na área e na produtividade, foi verificada queda de 20,1% na produção de feijão primeira safra, com a colheita de 158,4 mil toneladas. A redução expressiva fez com que os preços do grão subissem no mercado, o que incentivou o plantio na segunda safra.

De acordo com os dados da Conab, a segunda safra de feijão, em Minas Gerais, foi estimada em 192,3 mil toneladas, volume 37,3% maior. A produtividade da cultura cresceu 22,6%, com a colheita de 1,47 tonelada por hectare. A área em produção está 12% superior, com o plantio ocupando 130,1 mil hectares.

Ainda com boa demanda no mercado, a produção de feijão na terceira safra também ficará maior. A previsão é de um incremento de 3,6%, com expectativa de colher 181,5 mil toneladas. A produtividade média deve recuar 0,4% e somar 2,6 toneladas por hectare. A área dedicada ao cultivo está 4% superior, com o plantio ocupando 68,4 mil hectares.

Com os incrementos registrados na segunda e terceira safras de feijão, a produção total, em Minas Gerais, na safra 2018/19, será de 532,1 mil toneladas, volume 3,6% superior.