O setor de serviços foi o destaque entre as empresas que mais criaram postos no ano passado - Alisson J. Silva

Enquanto as médias e grandes empresas (MGEs) de Minas Gerais ainda se recuperam da crise econômica vivida pelo País nos últimos anos, as micro e pequenas empresas (MPEs) parecem ter retomado o fôlego mais cedo. Prova disso é o levantamento divulgado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), que mostra um aumento de 58% no saldo de empregos gerados pelas MPEs em 2018 em relação a 2017. De acordo com o estudo, o novo saldo é quatro vezes maior do que o registrado pelas médias e grandes empresas no ano passado.

O levantamento foi construído com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia. Segundo o estudo, o saldo de empregos gerados pelas MPEs em Minas Gerais em 2018 foi de 57.071 vagas.

A analista do Sebrae Minas, Bárbara Alves, afirma que já era de se esperar que o saldo dos empregos das MPEs fosse maior, tendo em vista que são essas empresas as responsáveis por contratar 60% dos empregados formais no Estado. Mas ela destaca que o número muito superior de empregos gerados em 2018 traz uma reflexão diferenciada sobre a capacidade dessas empresas de reagir à crise.

“Vivemos um período difícil para a economia desde 2014, e o mercado de trabalho foi diretamente impactado. Mas o que observamos é que, a partir de 2017, as MPEs começaram a reagir. Por serem menores e terem estrutura menos complexa, elas conseguem ter mais flexibilidade e agilidade para reagir às mudanças do mercado”, analisa.

Além disso, o estudo aponta Minas Gerais como o segundo estado no País com o melhor saldo de empregos. Fica atrás apenas de São Paulo, que gerou 167.066 vagas. “Minas Gerais sempre fica entre a segunda e a terceira posições em geração de emprego por MPE, às vezes atrás do Rio de Janeiro. Mas a economia carioca também vem sofrendo uma crise específica e intensa, o que fez Minas Gerais ganhar protagonismo”, acrescenta.

Já no ranking das cidades que tiveram o melhor desempenho na geração de emprego, as MPEs mineiras não ocupam as posições de maior destaque. São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília vêm antes de Belo Horizonte, que está em 4º lugar na lista. Em Minas Gerais, além da Capital, as cidades com maior representatividade em saldo de emprego das MPEs são Contagem (4.012 vagas), na região metropolitana, e Uberlândia (3.304 vagas), no Triângulo.

“São cidades com grandes polos comerciais e que possuem um volume considerável de pequenos negócios”, afirma a analista.

Serviços – Entre os setores que mais geraram emprego, o de serviços é o maior. O segmento, que também concentra o maior número de MPEs, gerou 32.929 vagas em 2018, concentrando mais da metade (57%) do saldo de empregos gerados pelas MPEs mineiras. Em seguida, estão os setores do comércio (9.230 vagas) e construção civil (8.127).

O estudo também mostrou que as ocupações que tiveram a maior parte das vagas abertas pelas MPEs mineiras foram: servente de obras (6.012 vagas), alimentador de linha de produção (4.885 vagas), faxineiro (3.799 vagas), atendente de lojas e mercados (3.625 vagas) e motorista de caminhão – rotas regionais e internacionais (3.350 vagas).