No acumulado do ano até abril foram abertas 56,1 mil vagas - Crédito: Marcos Santos / USP Imagens

RAFAEL TOMAZ,
Editor

Apesar de a economia dar sinais de estagnação, com retração nos principais indicadores, a geração de emprego apresentou melhora em Minas Gerais

Em abril, foram criados 22.348 postos de trabalho no Estado, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado na sexta-feira (24) pelo Ministério da Economia. O resultado foi impulsionado pelo setor de serviços e pela agropecuária.

O resultado representa incremento de 332,8% na comparação com março, quando o saldo de empregos era positivo em 5.163 empregos. Em relação ao mesmo intervalo do ano passado (23.563), foi apurada queda de 5,1%.

Em abril, foram registradas 162.433 admissões em Minas Gerais. As demissões atingiram 140.085 no período, de acordo com o ministério.

Com o desempenho positivo em abril, o saldo de empregos no Estado ficou positivo em 56.129 vagas no primeiro quadrimestre do ano. Na comparação com o acumulado dos primeiros quatro meses do exercício passado, quando foram gerados 57.841 postos, houve retração de 2,95%.

No acumulado do ano, foram 594.142 contratações realizadas no Estado. As demissões entre janeiro e abril somaram 536.301.

Setores – A maior parte dos empregos criados em Minas foi no setor de serviços, com saldo positivo de 9.822 vagas em abril, resultado de 60.498 admissões e 50.676 dispensas. O resultado é 175% superior na comparação com março (3.563) e praticamente estável ante o mesmo mês do ano passado.

Entre janeiro e abril o setor de serviços foi responsável pela geração de 30.969 postos de trabalho. O desempenho é 14,1% maior do que o registrado no primeiro quadrimestre de 2018, quando o saldo foi positivo em 27.136 empregos. De acordo com os dados do Caged, no acumulado deste ano até abril, foram 239.283 contratações e 208.314 demissões realizadas pelo setor no Estado.

Outro setor que impulsionou o desempenho do mercado de trabalho em Minas foi o agronegócio. O saldo de empregos no campo ficou positivo em 7.389 vagas em abril, alta de 57% em relação ao mês imediatamente anterior (4.703). Na comparação com o mesmo intervalo do exercício passado (4.544), houve incremento de 62%.

No acumulado dos primeiros quatro meses do ano, a agropecuária obteve saldo positivo de 12.174, com 63.157 admissões e 50.983 demissões. O desempenho é 33,1% superior ao desempenho do mesmo período do ano passado, quando somou 9.142 postos.

Apesar dos desdobramentos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), que paralisou parte da produção de minério de ferro, a indústria extrativa também registrou desempenho positivo em abril, com a criação de 230 empregos no Estado. No acumulado do ano, foram gerados 1.317 postos de trabalho pelo setor, alta de 116% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2018.

País tem o melhor resultado para o mês em seis anos

Brasília – O Brasil registrou criação líquida de 129.601 vagas formais de emprego em abril, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado na sexta-feira (24) pelo Ministério da Economia, melhor resultado para mês desde 2013. Há seis anos, foram abertos 196.913 postos.

O dado também veio bem acima de pesquisa Reuters com analistas, que indicava abertura de 80 mil vagas em abril.

Para o secretário do trabalho, Bruno Dalcomo, não houve uma surpresa tão grande por parte da pasta, já que abril é tradicionalmente positivo para o mercado de trabalho.

Mas Dalcomo citou que a alta de 12% na abertura líquida de empregos ante o mesmo mês de 2018 surpreendeu positivamente, uma vez que o ritmo de atividade econômica, segundo ele, está parecido com o do mesmo período do ano passado.

Todos os oito setores pesquisados ficaram no azul em abril, com destaque para o de serviços, com criação de 66.295 vagas formais.

A indústria da transformação abriu 20.479 empregos de carteira assinada, seguida pelo setores da construção civil (+14.067), agropecuária (+13.907) e comércio (+12.291) dentre os maiores destaques.

Nas modalidades da reforma trabalhista, o Caged registrou 17.513 desligamentos mediante acordo entre patrões e empregados. Foram criados 5.422 vagas de trabalho intermitente e 2.827 de trabalho em regime de tempo parcial.

No acumulado do ano, foram abertas 313.835 vagas, ainda abaixo do saldo positivo de 336.855 postos de igual período do ano passado, conforme série com ajustes.

Segundo Dalcomo, o crescimento ainda está aquém do que esperam os trabalhadores desempregados, mas os resultados estão em linha com o crescimento apresentado pelo País.

“É preciso… que haja uma recuperação de confiança, uma retomada dos investimentos e a aprovação, por exemplo, de reformas importantes dentro do Congresso Nacional”, disse.

Ele ponderou ainda que, confirmado o cenário de retomada de tração pela atividade econômica, o mercado de trabalho reagiria e poderia igualar o crescimento e até mesmo superá-lo.

Os dados relativos ao mercado de trabalho ainda apontam um quadro de desalento. A taxa de desemprego no Brasil voltou a aumentar no primeiro trimestre, com o total de desempregados chegando a quase 13,4 milhões, de acordo com o IBGE. (Reuters)