Objetivo de Salim Mattar é gerar ganhos de R$ 1 trilhão com as privatizações nos próximos anos - Créditos: Fábio Ortolan - ACMinas

Após liderar por anos a maior locadora de veículos da América Latina – a mineira, Localiza Rent a Car -, Salim Mattar, trocou, desde o início do ano, a iniciativa privada pela pasta de Secretaria Especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia do governo federal. Com o objetivo de gerar ganhos de até R$ 1 trilhão nos próximos anos, o executivo acredita que um Estado justo e ético não deve ter estatais.

“Sempre fui um crítico de governos e somente aceitei o desafio de integrar a atual gestão por acreditar que precisava fazer algo pelo País. Hoje realizo o sonho do cidadão liberal que sou, de privatizar o que é desnecessário no sistema. Sempre achei que tínhamos estatais demais e cidadãos de menos; Brasília demais e municípios de menos. O meu foco é reduzi-los”, disse em encontro com empresários mineiros na Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas).

Mattar destacou que, quando foi convidado a integrar o governo, recebeu como tarefa a missão de enxugar a máquina, reduzir as dívidas da União e gerar caixa a partir dos desinvestimentos e privatizações nacionais. Segundo ele, cerca de US$ 13 bilhões já foram arrecadados nos primeiros 100 dias de governo.

“É um grande desafio. Ninguém quer privatizar, mas precisamos buscar a eficiência e trabalhar por um Estado forte e enxuto e não rico. Um Estado que sirva ao cidadão e não que se sirva do cidadão”, defendeu.

O secretário disse também que uma das principais orientações que recebeu ao assumir a pasta foi de que quatro grandes ativos não poderiam integrar os planos dos próximos anos: Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES. Porém, ele não descartou o desejo de extrapolar a orientação.

“Essa foi a orientação no princípio de governo, o que não quer dizer que eu não possa convencê-los nos próximos anos de uma postura diferente. O BNDES, por exemplo, poderia ser transformado em uma agência. E questiono se um país precisa mesmo de uma empresa de petróleo. Inclusive, a Petrobras deverá, no mínimo, diminuir de tamanho nos próximos anos, a partir da venda de suas subsidiárias. Mas, se eu conseguir, ao fim da gestão, tirar ao menos uma (estatal) desta lista, terei realizado alguma coisa além do meu contrato”, revelou.

Já sobre “a menina dos olhos” entre a lista de 134 estatais e os U$$ 490 bilhões em valores possíveis de se arrecadar, Mattar falou sobre os Correios. “Privatizar os Correios é meu maior desafio. Quero privatizá-lo e minha equipe também. Estamos engajados neste processo e já superamos o primeiro desfio”, disse sem revelar detalhes.

Cemig e Copasa – O secretário falou ainda sobre a situação das unidades federativas que também se encontram em dificuldade financeira e citou Minas Gerais. Segundo ele, a intenção do governo federal é auxiliar cada estado nos processos de privatizações locais.

“Os estados estão quebrados, a exemplo de Minas. Nosso foco aqui será mais uma vez a venda das estatais, como a Cemig e a Copasa, pois o governo estadual também precisa equalizar suas dívidas”, justificou, lamentando, porém, a necessidade da aprovação do Legislativo para a privatização de empresas de saneamento ou energia, conforme prevê a Constituição.

O anfitrião da noite, o presidente da ACMinas, Aguinaldo Diniz Filho, enalteceu a presença do secretário especial, destacando a coerência entre o papel que vem desempenhando à frente da Pasta e o que sempre defendeu enquanto empresário.

“Não haveria ninguém melhor no Brasil para assumir essa função. Mattar tem visão empreendedora e justa. A ACMinas, como entidade empresarial, apoia e compartilha das suas convicções, que têm como objetivo fortalecer a iniciativa privada e estimular um ambiente propício aos negócios, gerando riquezas, emprego e renda”, comentou.