Na Santa Cruz Acabamentos, as mulheres se destacam e são valorizadas em diferentes setores, como Recursos Humanos, Contabilidade, Financeiro, Compras, Jurídico e Marketing - Divulgação

A participação das mulheres na alta gestão ainda é um tabu em muitas empresas. Algumas, entretanto, desafiam os números de uma maneira natural. A Santa Cruz Acabamentos, sediada na região Noroeste de Belo Horizonte, viu o quadro de mulheres aumentar, incentivado pela qualificação das candidatas a cada vaga oferecida. Enquanto apenas 19% das empresas participantes do estudo Panorama Mulher 2018 têm uma mulher como vice-presidente e 25% mantêm uma mulher na diretoria, a loja de materiais de construção preserva um andar inteiro ocupado por elas. As executivas estão por todos os setores, entre eles: Recursos Humanos, Contabilidade, Financeiro, Compras, Jurídico e Marketing.

De acordo com a diretora de RH da Santa Cruz Acabamentos, Luana Rezende, o maior grau de escolaridade e qualificação das mulheres em relação aos homens é a chave para explicar a presença delas na gestão da empresa. “Não instituímos um programa ou uma política de colocação de mulheres na gestão. Sempre procuramos pelos melhores profissionais e elas foram se apresentando e preenchendo as vagas. O que, talvez, possa ser um mérito da Santa Cruz é não resistir a esse movimento. Ouvimos casos de muitas empresas em que há muita resistência, em que a preferência pelo homem é independente da competência. Aqui, agimos com tanta naturalidade que as coisas foram sendo aceitas”, explica Luana Rezende.

Não é apenas na liderança que as mulheres vêm ocupando cargos na Santa Cruz. No atendimento ao cliente a equipe já está chegando próxima à metade do pessoal. Em outras áreas, pela própria natureza do trabalho, que exige maior força física, como estoque e logística, os homens mantêm a hegemonia. Mesmo nessas áreas, as mulheres já começam a marcar presença.

“Na loja, as vendedoras têm alcançado êxito, porque são mais pacientes, têm uma escuta maior que os homens. Especialmente na parte de acabamentos finos, onde a mulher tem um grande poder de decisão, as consumidoras buscam pelo auxílio feminino, não só pela estética, mas também pela qualidade. A mulher, via de regra, é mais detalhista e demora mais a escolher, então, quando outra mulher atende, fica mais fácil fechar uma venda assertiva”, avalia a diretora de RH da Santa Cruz.

Leia também:

Recrutamento da Amazon excluía candidatas

Algoritmos elegiam os currículos dos homens

Ambientes diversos – A evolução das práticas corporativas em busca do equilíbrio entre os gêneros tem gerado ambientes mais diversos e complexos. Se no século passado era comum a masculinização da estética feminina, em busca de aceitação nos patamares mais alto da gestão, hoje o universo feminino tem sido respeitado e valorizado. O sucesso das mulheres tem gerado um paradoxo na Santa Cruz: a preocupação da empresa em contratar mais homens para determinados setores.

“Hoje, as empresas buscam talentos e habilidades complementares, então, não faz sentido exigir que a mulher se vista ou se comporte como homem. O que traz riqueza para a empresa é a diversidade. Aqui, por incrível que pareça, já tivemos momentos em que pensamos que tínhamos que contratar um homem para equilibrar o time. Aí, usamos a naturalidade, que permitiu que elas entrassem: a contratação de alguém que atendesse às nossas necessidades independentemente do gênero. Tem dado certo”, completa a gestora.