Foto: Michelle Muls

O segundo tema do estudo Visão Brasil – 2030, realizado pela consultoria internacional McKinsey, apresentado durante a 20ª edição do Diálogos DC, foi Saúde. O evento foi realizado em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Na avaliação do sócio da Mckinsey & Company Brasil, Henrique Ceotto, os resultados alcançados por Minas Gerais também acompanharam o baixo rendimento apresentado pelo País no estudo Visão 2030 – Brasil, realizado em 2014.

Minas apresentou queda importante na mortalidade infantil: de 14,6 em 2010 para 10,9 em 2016 mortes por 1.000 nascidos vivos, entretanto ainda estamos atrás de estados como o Espírito Santo (8,8) e países como Chile (7,0) e Costa Rica (4,0). Ademais, a cobertura de vacinação – uma das importantes medidas para a sustentação da baixa mortalidade infantil – segue em declínio: passou de 94% em 2014, para 90% em 2017.

“Minas andou para o lado, com o aumento do número de profissionais no setor, queda da mortalidade, mas com a diminuição de leitos. Todos os índices ligados à saúde dos adultos se mantiveram estáveis e o tabagismo caiu. De outro lado, a queda da cobertura vacinal é muito grave. Os gastos do Estado estão em linha com os mais ricos estados do País, entretanto os nossos indicadores são piores”, lamentou Ceotto.

Mais uma vez a consultoria, que existe há 92 anos e está há 30 no Brasil, pontuou casos de sucesso que podem inspirar Minas Gerais na busca pelos resultados preconizados pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2015, através dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS):

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Estado vem perdendo competitividade consistentemente

Prontuário eletrônico universal – Estima-se que 20% dos gastos com exame poderiam ser economizados com a não repetição desnecessária de exames;
Estratégia de estruturação da Telessaúde – pode ser uma importante ferramenta para garantir o acesso à saúde em áreas remotas;

Melhoria da gestão de desempenho dos hospitais – sistemas de controle que promoveram maior transparência reduziram em 30% os índices de óbito e em 25% os dias de internação;

Estratégia de expansão do atendimento básico por unidades móveis – a medida favoreceria o acesso aos cuidados primários em regiões remotas, além de diminuir custos. Em Minas Gerais, o modelo foi testado em 2014, com a realização de consultas e exames de endoscopia em pacientes que aguardavam na fila espera do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Existe uma voz da sociedade que é importante. Necessitamos de um engajamento pesado e agressivo. O governante tem que fazer o que a sociedade precisa e não o que ela quer e essas duas coisas podem ou não estar alinhadas. Esse sistema de engajamento tem que ter direcionamento. Precisamos saber quais os temas relevantes para a sociedade e traçar uma estratégia de engajamento”, destacou o sócio da Mckinsey & Company Brasil.

“A palavra-chave é metodologia. Ela tem que buscar as interfaces dos problemas, buscando as soluções e diminuir a burocracia. Precisamos pensar de maneira sistêmica”, pontuou o ex vice-presidente da Fiemg, Bruno Maurício.

SAÚDE

O Visão Minas 2030 define como meta prioritária para Minas Gerais estar entre os três estados mais saudáveis do Brasil. Para tal, será necessário atingir duas metas até 2030:
• Posicionar-se entre os três estados brasileiros com maior expectativa de vida;
• Posicionar-se entre os três estados brasileiros com menor mortalidade infantil.

Para avançar nas metas em saúde, foram definidos três grandes objetivos:
• Garantir o acesso a serviços de saúde de qualidade a todos os mineiros;
• Priorizar a prevenção em relação ao tratamento de doenças;
• Criar uma gestão de saúde com foco em eficiência e sustentabilidade financeira.

Minas Gerais teve poucos avanços nos últimos anos:
• Reduziu em 9% a taxa de mortalidade infantil;
Reduziu em 4% a mortalidade materna;
• Aumentou em 17% o número de profissionais da saúde;
• Ficou entre os três melhores estados em saneamento básico. (DM)