Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC Horizontes Têxtil

As indústrias têxteis de Minas Gerais estão amargando perdas em função do fraco desempenho da economia. Este ano, ao longo do primeiro quadrimestre, os dados preliminares mostram que o desempenho do segmento retraiu entre 3% e 4%, contrariando a expectativa de ampliação dos resultados projetada para 2019.

Assim como para os demais setores da economia, a retomada do mercado e do desempenho depende de ações do governo federal, principalmente, no que se refere à aprovação das reformas da Previdência e tributária.

Mesmo com desempenho aquém do esperado, a projeção para 2019 é de que o faturamento das indústrias têxteis cresça cerca de 6% em Minas Gerais, o que será alcançado caso as reformas propostas pelo governo federal sejam aprovadas.

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas no Estado de Minas Gerais (Sindimalhas), Flávio Roscoe, a estimativa para os primeiros meses de 2019 era de crescimento, porém, em função do mercado enfraquecido, o setor retraiu.

“Nossa estimativa era de aumento do desempenho, mas não foi o que aconteceu. Ainda não fechamos os dados do setor referente ao período de janeiro a abril de 2019, mas a estimativa inicial é de uma queda entre 3% a 4% no setor, frente a igual período do ano anterior. A atual situação econômica do País é o principal fator que impactou no setor têxtil”, explicou Flávio Roscoe.

O fraco desempenho das indústrias têxteis se deve à retração econômica, ao aumento do desemprego e a maior cautela do mercado consumidor.

“A retomada do crescimento do setor industrial têxtil depende de como anda a macroeconomia e a confiança do consumidor. Além disso, dependemos de avanços no Brasil, assim como as indústrias em geral”, disse.

Confiança abalada – Com a economia enfraquecida e o desemprego em alta, o nível de confiança do consumidor está menor. Em Belo Horizonte, por exemplo, o Índice de Confiança do Consumidor recuou 5,1 pontos no primeiro trimestre, passando de 58,2 pontos para 53,1 pontos, segundo os dados da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH). Por essa perspectiva, 2019 será desafiador para a indústria têxtil.

Segundo Roscoe, um dos principais fatores que podem contribuir para a retomada da indústria e da economia nacional é a aprovação da reforma da Previdência, o que garantiria o equilíbrio das contas do governo e a capacidade de retomar os investimentos. Esses fatores são fundamentais para a geração de empregos e recuperação da economia.

“Iniciamos o ano com a perspectiva das indústrias têxteis crescerem cerca de 6% no ano. Mesmo com o desempenho negativo verificado no primeiro quadrimestre, acreditamos que, se as reformas, principalmente a da Previdência, forem aprovadas, vamos conseguir recuperar as perdas e encerrar o ano com o crescimento estipulado”, explicou Roscoe.

Votorantim registra lucro de R$ 4,4 bi no trimestre

São Paulo – A Votorantim SA, um dos maiores grupos industriais do Brasil, divulgou, na sexta-feira (17), um aumento no lucro do primeiro trimestre e uma forte queda na dívida, como resultado da venda parcial da fabricante de celulose Fibria.

O lucro líquido somou R$ 4,4 bilhões nos primeiros três meses do ano, ante R$ 150 milhões no mesmo período de 2018.

A Votorantim vendeu parte de sua fatia na Fibria para a Suzano Papel e Celulose por cerca de R$ 8 bilhões, em um acordo concluído em janeiro. O grupo agora detém participação de 5,5% na Suzano.

A dívida líquida do grupo encerrou março em R$ 10,2 bilhões, 23% abaixo do final de 2018. Isso equivale a 1,46 vez o lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), ante 1,91 vez em dezembro.

Em comunicado, o presidente-executivo, João Miranda, afirmou que a Votorantim atingiu um confortável índice de alavancagem, deixando espaço para aquisições. O grupo busca investimentos em áreas como infraestrutura e propriedades comerciais no Brasil, bem como fabricantes de cimento ou materiais de construção em países desenvolvidos.

A receita do primeiro trimestre também cresceu 5% ano a ano, para R$ 6,7 ​​bilhões, ajudada pelas maiores vendas de cimento e alumínio e também pela desvalorização da moeda brasileira. (Reuters)