Cesar Vanucci*

“Esfaquear o Sistema S é um duro golpe!”
(Flavio Roscoe, presidente da Fiemg)

A ignorância ativa, denunciando autossuficiência derivada de pretensa superioridade intelectual, é de molde a produzir malefícios sem conta, por vezes irreparáveis. Agora, o já não saber o que se ignora configura circunstância capaz de atenuar, de algum modo, eventuais culpabilidades por atos irrefletidos, sempre passíveis de reconsideração. Quer nos parecer que esse embalo inicial do superministro da Economia, Paulo Guedes, e assessores, acenando com proposta de intervenção nas atividades do chamado “Sistema S”, encaixa-se na última alternativa pontuada. Ponho-me a imaginar que o anúncio feito a respeito da momentosa questão decorra de um inequívoco desconhecimento da real extensão dos fecundos benefícios proporcionados pelas instituições vinculadas a esse respeitável e firmemente consolidado complexo educacional e de serviços sociais.

Dos SS brasileiros pode-se garantir, sem a mais tênue sombra de exagero, que são everestiana referência na paisagem do labor e da criatividade humana voltados para o ideal do bem-estar social. Fazem parte de um conjunto invejável – que os há, mercê de Deus, em numerosas áreas de atuação legitimamente brasileiras – de empreendimentos altamente bem-sucedidos. Empreendimentos – repita-se – nascidos do engenho e capacidade de nossa gente, que constituem esplêndida contribuição ao esforço global em favor do desenvolvimento.

Numa narrativa repleta de vigor, lúcida avaliação dos fatos, transbordante em matéria de argumentos convincentes, o presidente do Sistema Fiemg, empresário Flávio Roscoe, ocupou dias atrás este mesmo acolhedor espaço de ideias para abordagem magistral do papel dos SS na cena comunitária.

Seu pronunciamento convida à reflexão. Deixa claro o quão justo é o desassossego que se apoderou do meio empresarial e da incalculável multidão de usuários favorecidos pelos programas dos SS, diante da ameaça que sobrepaira as entidades de desmantelamento significativo de suas estruturas. “O Sistema S acaba de se transformar em alvo de ameaças que colocam em risco a sua própria existência”, alerta Roscoe, lamentando que, em nome da necessidade da redução da carga tributária, o ministro Paulo Guedes utilize a tribuna para dizer que é “preciso enfiar a faca no Sistema S”. Desenvolvendo sensato raciocínio, o dirigente acentua que o ministro poderá contar com o apoio do setor produtivo nacional em iniciativas que busquem a recolocação do País na direção do crescimento sustentado, mas deixa frisado que “meter a faca no Sistema S” não se insere, jeito maneira, no rol das desejáveis providências administrativas e técnicas. Projeta, ao mesmo tempo, nas considerações alinhadas, um exuberante quadro demonstrativo das exitosas ações levadas a cabo, País afora, pelos SS.

A eloquência dos números e dados estampados explica a razão pela qual o Sistema S, composto pelo Sesi, Senai, Senac, Sest, Senat, Sescoop, Senar e Sebrae, desfruta, do Oiapoque ao Chuí, graças à excelência dos serviços prestados, do mais elevado conceito na apreciação da sociedade. Pesquisa recentemente divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mencionada por Roscoe, dá conta da existência, praticamente, de uma unanimidade nacional em torno do que é executado pelas referidas instituições nas faixas da educação básica, educação profissional, saúde e segurança do trabalho, cultura, esporte, lazer e qualidade de vida do trabalhador.

A pergunta que não quer calar, desde que veio a público a açodada manifestação no sentido de mexida nas operações dos SS, é uma só, conforme pertinente registro do presidente da Fiemg. Por que cargas d’água, a partir do propósito da louvável redução tributária, ganhou corpo essa imprudente disposição, destituída de bom-senso, de se desestabilizar os SS? Mesmo admitindo que muitos não saibam ainda o que se ignora, a estes mesmos, sobretudo, se recomenda cautela e prudência, pausa para reavaliações, de forma a que possam se inteirar melhor daquilo que realmente rola, não é de hoje, nos excelentes programas executados pelo Sistema S. Procedendo assim, não estarão incorrendo no risco de alvejar, clamorosa e irremediavelmente, projetos exemplares que dizem respeito à qualidade de vida do operário, inovação e desenvolvimento de tecnologia nos segmentos produtivos.

Resumo da ópera: sem essa de mexer em time que está ganhando todas. Muitas vezes, de goleada.

  • Jornalista(cantonius1@yahoo.com.br)