Lenir Maia afirma que a produção de doces para festas de casamento passa de uma média de 60 mil para 75 mil em setembro - Foto: Adriana Guimarães

A preferência dos noivos ao escolher a data do casamento, há muito tempo, deixou de ser direcionada para o mês de maio, o famoso “mês das noivas”. É que setembro tem se tornando determinante para alavancar as vendas dos negócios deste setor, mais do que maio. Dentre os motivos para isso estão a maior oferta de flores nesta época e o clima que favorece as cerimônias diurnas. É a natureza ditando os compromissos matrimoniais e fortalecendo o comércio.

O segmento tem sentido pouco os reflexos da recessão econômica e mesmo em meio à crise movimentou R$ 17 bilhões em 2017, segundo pesquisa da Abrafesta (Associação Brasileira de Eventos), mantendo-se estável em relação aos dois anos anteriores, 2016 e 2015, quando movimentou a mesma cifra. De acordo com a Abrafesta, o número de casamentos no Brasil segue crescendo, e desde 2011, já supera 1,1 milhão ao ano.

Dentre os gastos previstos, estão os famosos bem-casados, que não podem faltar em um casamento tradicional. Em Belo Horizonte, a referência é a Lenir Maia Gourmet Bem Casados, que após acumular fama ao longo dos anos, recebe encomendas não só de casais mineiros, mas de clientes de todo o País e até do exterior.

Se nos demais meses do ano a proprietária Lenir Maia costuma produzir cerca de 60 mil doces, em setembro, a média de produção é de 75 mil, fazendo com que ela tenha, inclusive, que contratar mais colaboradores para ajudar a embalar as encomendas.

“Maio costumava ser o mês das noivas, mas como é o mês de Dia das Mães também, havia mais procura do que oferta, e as flores costumam ser mais caras. Mas já há alguns anos, o mês de setembro tem sido o preferido dos noivos, porque é quando começa a primavera, tem uma diversidade maior de flores, os dias são lindos e limpos, é realmente mais apropriado. É o único mês que a gente não consegue atender a toda a demanda”, conta Lenir Maia.

Um dos diferenciais do negócio são as estampas personalizadas de tecidos que embrulham os doces e podem ser escolhidos pelo casal. Além disso, há opções de bem-casados dietéticos, sem glúten e sem lactose.

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Lingerie – O que também não pode faltar é a escolha da lingerie para a noite de núpcias. Além disso, no lugar do tradicional chá de panela, a tendência é o chá de lingerie, no qual a noiva escolhe as peças de sua preferência e tamanho e faz uma festa com as amigas, com direito a vários atrativos, brincadeiras e até mesmo palestras eróticas, onde as convidadas podem adquirir as peças disponibilizadas para presentear a noiva.

A grife mineira Sedução Lingerie se tornou especialista neste segmento e também percebe a importância do mês de setembro em seus negócios. Só no mês de agosto, véspera dos casórios realizados na primavera, a empresa teve uma procura de 40% a mais que no mesmo período no ano passado para a realização de chás de lingerie.

Segundo Amanda Cordeiro, responsável pela marca, setembro já se tornou o segundo melhor mês no quesito de vendas, perdendo apenas para dezembro, época dos presentes de Natal. A expectativa é fechar o ano com um crescimento 25% no faturamento.

“Os dois meses, maio e setembro, são muito bons de vendas. Setembro se tornou o segundo mês das noivas, porque está todo mundo casando ao ar livre, por causa do clima, por causa das flores, e também porque em maio acaba tudo ficando mais caro”, conta.

Ainda assim, o primeiro semestre deste ano também se mostrou favorável para os negócios, com um crescimento de 15% em relação ao primeiro semestre de 2017. “O mercado de casamentos, de noivas, é muito bom, porque a crise acaba não afetando completamente, as pessoas continuam se casando. O que a gente sente em relação à crise é que antes a noiva vinha e fazia um enxoval enorme, hoje, ela vem, faz um enxoval menor e um chá de lingerie, então, no final das contas, acabamos vendendo o mesmo tanto”, explica Amanda.

O foco são as noivas, enxovais, chás de lingerie, mas a marca também trabalha com peças do dia a dia, camisolas etc. E para impulsionar as vendas gerais, a aposta é na publicidade junto às novelas da TV e a divulgação posterior nas redes sociais. “A gente manda um pouco de tudo para as produções e assim já tivemos peças que apareceram em 12 novelas.