Custo total de produção no Estado, calculado pela Conab, é de R$ 501,33 por saca de café no sistema de produção manual - Créditos: Divulgação

Os preços baixos e as perdas ocasionadas pelo clima na produção de café em Minas Gerais, ao longo dos últimos anos, comprometeram a rentabilidade dos produtores. Diante da situação crítica, entidades representantes dos produtores e o governo estadual estão em busca de soluções para reverter a crise.

Na última semana, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) enviou oficio à ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, reivindicando o apoio político e a adoção de medidas para garantir a renda e a manutenção dos produtores na atividade.

Dentre as medidas necessárias e imediatas estão a intermediação junto às entidades financeiras para o prolongamento do prazo para pagamento de financiamentos dos cafeicultores e o lançamento de contratos de opção de venda para o café. As reivindicações estão em análise.

Segundo o engenheiro agrônomo e assessor especial de Cafeicultura da Seapa, Niwton Moraes, a busca por negociação junto ao governo federal vem sendo feita há alguns anos. A situação dos cafeicultores em Minas Gerais, maior produtor do País, é crítica e pode comprometer a produção nas próximas safras.

“Já tem alguns anos que os representantes dos cafeicultores estão tentando uma negociação do passivo das últimas safras, incluindo a safra 2018. O preço do café vem caindo há cerca de quatro anos e isso fez com que parte dos produtores acumulasse perdas. Para auxiliar na situação, algumas medidas seriam necessárias, como o prolongamento para quitação de financiamentos, possível redução dos juros e o lançamento de contratos de opção para a compra do café. Esperamos que a resposta do governo federal seja positiva”, disse.

Agravamento – De acordo com a Seapa, a situação, ao longo do primeiro trimestre de 2019, foi agravada em função da safra recorde de café colhida em 2018. Os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que, na safra 2018, Minas Gerais colheu 32,9 milhões de sacas de 60 quilos, variação positiva de 36,8% frente à safra anterior. No País, foram colhidas 62 milhões de sacas, representando aumento de 38% em relação à produção de 2017.

Com o maior volume de café disponível no mercado, os preços pagos pela saca de 60 quilos estão abaixo do custo de produção. Hoje, segundo a Seapa, a saca está sendo comercializada no mercado entre R$ 370 e R$ 380, e o preço mínimo estabelecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), parâmetro criado para manter o equilíbrio de mercado, é de R$ 362,57. Já o custo total de produção em Minas Gerais, calculado pela Conab, é de R$ 428,12 por saca no sistema de produção mecanizada e de R$ 501,33 no sistema de produção manual.

“O produtor vem acumulando prejuízos. Por isso, é necessário adotar medidas para solucionar o problema. Além da extensão do prazo para quitar os financiamentos, o lançamento de um contrato de opção de venda para o café seria fundamental para a melhoria do cenário”, explicou Moraes.

Contrato de opção – De acordo com a Seapa, o contrato de opção de venda consiste em um acordo firmado entre produtores e o governo federal, por meio da Conab, que prevê a aquisição de lotes a um preço previamente definido para possível entrega no próximo ano.

Caso seja acatado, o contrato permitirá que os cafeicultores mineiros tenham a opção de vender a produção para a Conab se o valor de mercado estiver menor do que o negociado com o governo.

“A última vez que tivemos o lançamento do contrato de opção foi em 2013, quando a cafeicultura passava por uma situação parecida com a de agora. Naquele ano, a iniciativa foi positiva para o setor. Geralmente, o preço do contrato fica acima do valor mínimo, mas não é muito elevado para evitar estímulos ao aumento da produção”, explicou Moraes.

De acordo com a analista de agronegócio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Ana Carolina Alves Gomes, as ações da entidade estão voltadas para buscar soluções que garantam renda ao produtor. Até o momento, as medidas estão em fase de definição e negociação junto ao governo federal.

“A crise da cafeicultura é cíclica e vem dificultando, no elo produtivo, a sustentação da atividade. Diante do cenário, a Faemg vem atuando há tempos para tentar reverter ou minimizar o impacto para o produtor. Estamos participando de várias negociações e verificando políticas que poderão dar sobrevida ao produtor nesse momento delicado. As medidas estão relacionadas à renegociação de débitos e à questão de políticas de garantia de renda. Vemos com bons olhos a política atual. O pessoal entende bem o agronegócio, tem ciência das demandas e está colaborativo no sentido de desenvolvimento conjunto das possíveis soluções”, destacou Ana Carolina.