Friedheim: setor pode voltar a crescer dois dígitos neste ano - Foto: Keiny Andrade/Divulgação

O franchising brasileiro chegou ao fim do ano passado apresentando bons números e confiante em 2019. Os números apresentados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), ontem, em São Paulo, revelaram uma retomada em vários índices depois de um 2017 muito difícil.

Os dados ainda são preliminares, mas já registram em 2018 um crescimento nominal de 7% da receita na comparação com o ano anterior. A estimativa é que o setor gere 8% mais empregos diretos no mesmo período (incluindo contratos intermitentes e temporários), totalizando cerca de 1,3 milhão de trabalhadores contratados. A expansão do número de unidades é de 5% e de novas marcas 1%, após um ano de queda.

Para a gerente de inteligência de mercado da ABF, Vanessa Bretas, a melhoria do contexto econômico brasileiro junto a um cenário político mais estável, passadas as eleições de outubro, foram determinantes para os resultados finais do setor, apesar de ter sido um ano bastante atípico.

“Passamos por alguns altos e baixos marcados pela greve dos caminhoneiros, a Copa do Mundo e as eleições, no entanto, principalmente o último trimestre foi muito bom para o varejo em geral. Com a definição do cenário político, as redes estão otimistas e isso se refletiu nos resultados do ano. A retomada da economia, a maior oferta de crédito e o reaquecimento do consumo com uma Black Friday muito boa e um bom Natal explicam esse resultado”, explicou Vanessa Bretas.

Projeção – A expectativa, segundo o novo presidente da ABF, André Friedheim, é que neste ano o setor volte a crescer dois dígitos, feito que não acontece há três anos. Para 2019 o estudo aponta: crescimento no faturamento entre 8% e 10%; no número de unidades entre 5% e 6%, no número de redes aumento de 1% e no de empregos, 5%.

Em fevereiro, serão divulgados os dados consolidados. A expectativa é que o setor fature em torno de R$ 170 bilhões. “Essa é uma prévia e sinaliza o que foi 2018 e o que podemos ter em 2019. Tivemos nos últimos meses aumento no índice de confiança dos empresários, o que faz com que eles procurem novas oportunidades de investimento e, consequentemente, procurando por novas franquias. Também um aumento no índice de confiança do consumidor, que se anima a comprar mais e a fazer alguma dívida para consumir. Tudo isso impacta diretamente o setor de franquias”, analisa Friedheim.

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Expansão – A prévia apontou um ritmo maior da expansão do total de unidades em operação no Brasil. Em 2018, essa taxa foi de 5%, enquanto que em 2017 e 2016, esse valor foi menor, 2% e 3,1%, respectivamente. De forma semelhante, embora em ritmo menor, o total de redes em operação no Brasil cresceu 1%.

“São números muito bons quando avaliamos que são uma retomada, depois de dois anos muito ruins. São empresas adotando o franchising como um novo canal para a expansão; outras que já estão nascendo dentro do modelo. Temos também indústrias aderindo ao sistema como um novo canal de distribuição e estrangeiras aportando no Brasil. Já o número de empregos está ligado às novas formas de contratação como os contratos intermitentes e os temporários, especialmente os ligados à Black Friday e Natal. Cada unidade franqueada aberta gera, em média, oito empregos diretos”, pontua a gerente de inteligência de mercado da ABF.