Evento ocorrido na sede da Fiemg compartilhou experiências educacionais transformadoras - Crédito: Sebastiao Jacinto Junior

Os desafios da educação na preparação dos alunos para o mercado de trabalho contemporâneo e a influência de novos modelos educacionais na formação de profissionais qualificados prontos para atender as demandas da Indústria 4.0 foram discutidos no seminário “Indústria 4.0 começa com Educação de Qualidade”. O debate aconteceu ontem, na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), e compartilhou experiências educacionais transformadoras que usam estratégias para criar ambientes ótimos de aprendizagem por meio do uso da tecnologia, da aprendizagem criativa e da cultura maker.

O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, considera que o tema é relevante para toda a economia do País, já que a educação de excelência é responsável por formar profissionais adequados e, consequentemente, gerar produtividade principalmente para a indústria.

“Os números da educação no Brasil são péssimos e isso explica porque estamos em um país que se concentra nos produtos primários. Não agregamos valor, e uma parte significativa disso se deve à má formação e ao alto custo de mão de obra”, afirmou.

Roscoe ressaltou ainda que a falta de recursos não é o principal problema e sim o investimento em um modelo de educação que ele considera falido.

“Temos visto muitos recursos investidos em uma educação de péssima qualidade e terrível ineficiência, porque não existe meritocracia em nenhum ponto do sistema educacional público. Isso precisa ser corrigido, porque afeta diretamente a competitividade do País e da indústria”, disse.

Com o foco no desenvolvimento de habilidades e competências para o mundo da Indústria 4.0, no qual as vagas de emprego serão menores e as oportunidades de trabalho e empreendedorismo aumentarão cada vez mais, o presidente da Zoom Education for life, Marcos Wesley, destacou que a quantidade de informação e conteúdos que os alunos aprendem na escola e as avaliações por meio de testes e provas não conseguem mais preparar os jovens para a complexidade que o mercado tem apresentado.

“A tecnologia está entrando rápido e de maneira transversal em todas as áreas. Processos produtivos como inteligência artificial, big data e manufatura otimizada estão mudando em uma velocidade enorme e os futuros profissionais precisam acompanhar”, comentou.

Incentivar e aprimorar habilidades como visão sistêmica de mundo, capacidade de trabalhar em equipe, adaptação a diferentes cenários e condições de resolver problemas cada vez mais complexo com recursos diferentes são necessárias nesse contexto, de acordo com Wesley.

“O que nós fazemos hoje nas escolas, por meio da robótica, é focar no desenvolvimento das competências para esse mundo complexo. A robótica educacional não usa produto pronto, o aluno é colocado no centro do processo de aprendizagem com um desafio a ser solucionado por meio da tecnologia”, explicou.

O protagonismo do aluno também foi destacado pelo gerente de Inovação na Fundação Lemann, Lucas Rocha.

“A Fundação tem iniciativas para promover um tipo de educação no qual o aluno seja parte relevante do processo de escuta. Além disso, para nós é muito importante trabalhar com o setor público, que é onde as crianças estão e onde conseguimos alcançar mais pessoas por meio da equidade”, avaliou.

A formação de professores também é uma preocupação da Fundação Lemann, que apoia estados e municípios na formação dos professores para a Base Nacional Comum Curricular, que traz competências gerais, como argumentação, comunicação e uso de tecnologia, permeando todas as áreas de conhecimento.

Novas habilidades – A coordenadora de Educação Tecnológica do Sistema de Ensino Bernoulli, Emanuela Bezerra, também considera que o desenvolvimento de novas habilidades é o dever de uma escola 4.0. Segundo ela, o mundo de trabalho contemporâneo demanda habilidades sócio-emocionais como processo de criatividade, inovação, resolução de problemas, inteligência emocional, tomada de decisões, trabalho em equipe, estratégias de negociação, processo de comunicação, pensamento crítico, empatia e resiliência.

No contexto em que a aprendizagem é considerada uma troca de saberes, Bezerra pontua que esse processo se torna contínuo e referenciado nas experiências construídas individual e coletivamente.

“Escola, educação e mundo do trabalho estão sempre conectados. Por isso, é preciso pensar nessas habilidades construídas a partir do comportamento, das vivências e experiências de cada aluno”, esclareceu.

No entanto, a coordenadora afirmou que ainda é necessária uma mudança cultural no País para que essas competências sejam desenvolvidas de maneira eficaz e para atingir níveis de engajamento de alunos e professores de acordo com as necessidades de aprendizagem.

“Essas habilidades são discutidas hoje, porque a cultura da sociedade tem mudado. Antes, em um contexto de relação social e familiar linear e hierarquizada, o aluno não tinha espaço de voz. Hoje, se ele não tem esse espaço na sala de aula, vai procurar outro lugar onde possa ser protagonista e isso, muitas vezes, é a causa dos processos de evasão significativos”, concluiu.