Manoel Bernardes destaca a expectativa de aprovação de reformas para a retomada da economia - Créditos: Elias Gomes Fotografia

Após registrar resultados negativos, o setor de joias e gemas de Minas Gerais deve crescer cerca de 5% em 2019. A recuperação é considerada fundamental, uma vez que o setor vem amargando prejuízos nos últimos anos. Além da recuperação econômica, um melhor desempenho das empresas depende ainda da aprovação das reformas da previdência e tributária. As empresas do ramo têm como um dos principais gargalos as altas taxas tributárias.

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Joalherias, Ourivesarias, Lapidações e Obras de Pedras Preciosas, Relojoarias, Folheados de Metais Preciosos e Bijuterias no Estado de Minas Gerais/Associação dos Joalheiros, Empresários de Pedras Preciosas, Relógios e Bijuterias de Minas Gerais (Sindijoias/Ajomig), Manoel Bernardes, o setor deve apresentar um crescimento moderado em 2019.

“Esperamos crescer cerca de 5% em 2019. A expectativa é de crescimento moderado uma vez que a economia do País ainda passa por um momento delicado. Nossa expectativa é que ocorram aprovações de medidas que proporcionarão melhorias econômicas e a retomada dos investimentos no setor. Se as reformas da Previdência e tributária forem aprovadas haverá uma recuperação da economia, com retomada de investimentos, maior geração de renda e de empregos”.

A reforma tributária, segundo Bernardes, é importante para o setor, que carece de uma política de impostos mais adequada. Os impostos elevados são considerados um dos principais gargalos e podem chegar a representar cerca de 50% do valor dos produtos.

“A alta tributação é um dos maiores problemas enfrentados pelo setor. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), por exemplo, desestimula a formalização e a evolução das empresas. Em 1990, o IPI girava em torno de 5%, foi ampliado para 15% e conseguimos reduzir para 12%, porém, ainda é alto. Mesmo tendo, em Minas Gerais, uma legislação adequada em relação ao ICMS, o impacto dos impostos ainda é muito grande”, explicou Bernardes.

O setor, por ser muito diversificado, enfrenta peculiaridades que impedem um maior crescimento das empresas. Bernardes explica que no caso das empresas de bijuterias, o desafio são as importações e o contrabando de produtos que promovem uma concorrência desleal.

Já o setor de joias enfrenta problemas em decorrência do baixo poder aquisitivo da população e da carga tributária elevada. O segmento de gemas, que tem cerca de 90% da produção destinada ao mercado externo, depende da melhoria na economia chinesa, que é um dos maiores compradores. A estagnação da economia europeia também impacta de forma negativa.

Estratégia – Mesmo diante das dificuldades, o setor trabalha com otimismo e tem investido em iniciativas para ampliar mercado, aprimorar a gestão, inovação e designer.

“As iniciativas são muito importantes. Temos projetos de longo prazo e de profundidade. Incentivamos também a participação em feiras e eventos, o que traz resultados imediatos. Dentre os projetos, temos de identidade, de designer, capacitação na área financeira, incentivo a digitalização dos processos das empresas. Também buscamos inserir empresas jovens no mercado. Neste ano, durante a Minas Trend, levamos dez empresas para participar. Através de parcerias, também promovemos a participação de empresas nas maiores feiras de joias do mundo, o que é fundamental para a expansão do mercado”, disse Bernardes.