Lopes aponta que aprovação da reforma da Previdência pode mudar o cenário para o setor - Créditos: Marcos Issa/ Aço Brasil

São Paulo (*) – Embora a produção brasileira de aço bruto tenha recuado 2,8% nos primeiros três meses deste ano sobre a mesma época de 2018, chegando a 8,4 milhões de toneladas, o setor siderúrgico nacional mantém o otimismo para 2019.

Projeções do Instituto Aço Brasil (Aço Brasil) dão conta de um crescimento de 2,2% em relação ao ano anterior, chegando a 36 milhões de toneladas no fim deste exercício. A estimativa inicial era de um incremento de 2,7% no período.

De acordo com o presidente executivo da entidade, Marco Polo de Mello Lopes, mesmo que a conjuntura nacional e o desempenho aquém do esperado no primeiro trimestre tenham feito com que o instituto revisasse as projeções inicialmente esperadas, é possível que estes números voltem a crescer nos próximos meses, com a aprovação efetiva da reforma da Previdência.

“Tenho total convicção de que se a reforma da Previdência for aprovada sem grandes alterações esses números serão alterados para cima. Estamos falando de 4,5 mil obras paradas e agentes internacionais esperando esta mudança para poder investir no País. Porém, para que tudo isso aconteça tem que haver o mínimo de sinalização de que se trata de um país sério, que honra suas contas e seus compromissos”, afirmou.

No fim do ano passado a entidade estimava um aumento da produção de aço bruto brasileiro em 2,7%, chegando a 36,2 milhões de toneladas. Agora, os novos números divulgados ontem durante coletiva de imprensa, em São Paulo, indicam que o consumo aparente – que compreende as vendas domésticas das siderúrgicas e as importações – deverá somar 22 milhões de toneladas, contra 21 milhões de toneladas em 2018, representando avanço de 4,6%. A projeção inicial era de alta de 6,2%.

Com isso, as vendas no mercado interno deverão somar 19,5 milhões de toneladas neste exercício, volume 4,1% superior ao verificado no ano anterior, quando elas chegaram a 18,7 milhões de toneladas. Em dezembro, o Aço Brasil tinha expectativa de crescimento de 5,8%.

As projeções de exportações também foram revistas e para baixo. Antes era esperada estabilidade (0,3%) e agora se fala em recuo de 6,1%, totalizando 13,1 milhões de toneladas. Já as importações deverão somar 2,6 milhões de toneladas (8,7%) sobre as 2,4 milhões de toneladas de 2018. A estimativa inicial era de um crescimento de 8,9% no mesmo tipo de comparação.

Trimestre – Em relação ao desempenho do primeiro trimestre de 2019, o Aço Brasil informou que além da queda de 2,8% na produção, houve ainda leve recuo (-0,1%) nas vendas internas, que somaram 4,4 milhões de toneladas nos primeiros três meses deste ano. O consumo aparente foi de 4,9 milhões de toneladas, queda de 1,4% sempre em relação ao acumulado de janeiro a março do ano passado.

O presidente do Aço Brasil frisou que os números do primeiro trimestre sentiram os efeitos das dificuldades que ainda persistem na economia brasileira, com o atraso na aprovação de medidas estruturais para o País.

“A expectativa de que a reforma da Previdência seria aprovada no início do ano se frustrou. Mas, uma vez obtido o ajuste fiscal que o Brasil tanto necessita, haverá retomada de investimentos robustos na construção civil e em infraestrutura, assim como projetos de óleo e gás. Ou seja, a reforma será o divisor de águas para a economia brasileira”, citou.

Coalizão – Neste sentido, Lopes lembrou que a entidade, em conjunto com outros dez importantes setores econômicos, criou a Coalizão Indústria, visando a alinhar e auxiliar o governo federal numa agenda propositiva para o desenvolvimento do Brasil. São eles os setores de aço, automóveis, brinquedos, calçados, comércio exterior, construção civil, elétrico e eletrônico, máquinas e equipamentos, plástico, químico e têxtil.

“Juntos, estes setores representam 39% do PIB (Produto Interno Bruto) – R$ 485 bilhões, 58% das exportações de manufaturados – R$ 151 bilhões, geram 30 milhões de empregos diretos e indiretos e R$ 250 bilhões em impostos. E estão todos dispostos a deixarem suas agendas individuais de lado, em prol do Brasil”, destacou.

Entre as prioridades da Coalizão estão o ajuste fiscal, com a reforma da Previdência e tributária, a retomada do crescimento econômico, a desburocratização, o aumento da disponibilidade de crédito e a abertura comercial brasileira.

Logística adaptada evita falta de insumo

Em relação aos impactos sofridos pelo setor siderúrgico nacional a partir do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), em janeiro, o presidente do Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, afirmou que somente não foram maiores, graças à logística adaptada de compra de minério adotada pelas empresas e porque CSN e Gerdau estão com paradas programadas previstas para os próximos meses e o ritmo de produção já está menor.

“Não fossem estas situações, já teríamos usinas paradas. No entanto, não podemos continuar contando com isso, pois a logística emergencial implica em gastos maiores de produção e CSN e Gerdau voltarão ao ritmo normal em setembro. Precisamos de medidas definitivas”, alertou.

Neste sentido, ele citou os esforços da entidade junto ao governo federal para a liberação das operações da Vale – que teve mais de 50% da produção em Minas suspensas devido a questionamentos sobre a segurança de suas minas e barragens.

“Já tivemos a retomada de Brucutu e Vargem Grande, mas sabemos que ainda existem pendências. Não dá para atuar sem o mínimo de previsibilidade, sem saber quando as atividades poderão ser suspensas novamente. Além disso, a sugestão que fizemos para a contratação de uma empresa internacional isenta para atestar a estabilidade ou não das barragens também foi aceita e a Vale já firmou contrato com a United States Army Corps of Engineers”, concluiu.

(*) a repórter viajou a convite do Instituto Aço Brasil