Face ao cenário negativo, a projeção da Abit para o fechamento do ano é de extinção de 13 mil empregos com carteira de trabalho no País - CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

Em reflexo à incerteza política e econômica que ronda o País às vésperas das eleições presidenciais, a indústria têxtil de Minas Gerais acompanhou o desempenho nacional do setor e cortou postos de trabalho neste ano. Só em agosto, a indústria têxtil mineira perdeu 482 empregos formais e a nacional eliminou 2,7 mil vagas. No acumulado até agosto, o setor cortou 502 empregos no Estado e, no País, a perda chegou a 1,9 mil postos. A indústria têxtil mineira emprega 161,1 mil pessoas, uma participação próxima de 10% do total nacional.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Valente Pimentel, explicou que o corte de empregos no setor, tanto em Minas quanto no País, acendeu um alerta no setor. O quadro fica ainda pior, segundo ele, quando são considerados outros indicadores econômicos nacionais do segmento.

No primeiro semestre deste ano, por exemplo, o varejo de vestuário e a produção de têxteis e vestuário caíram 3,5%, 0,9% e 3,8%, respectivamente, na comparação com o mesmo período de 2017, ano que o setor conseguiu um crescimento de 5% na sua produção física quando comparada à de 2016.

“O ano não vinha mal, mas, a partir de maio começamos a ter problemas sérios. A greve dos caminhoneiros, um inverno pouco rigoroso e pouco definido, o aumento das incertezas políticas, a Copa do Mundo de futebol e a manutenção do crescimento das importações levaram a este quadro de perda de empregos”, analisou o presidente da Abit.

Pimentel acrescentou que o retorno do crédito para pessoa física, provocado pela queda dos juros, trouxe novamente a capacidade de consumo de bens de maior valor agregado em detrimento da demanda por outros bens de menor valor, como produtos têxteis, e também colaborou para prejudicar a demanda de têxteis e vestuário.

“Estamos vivenciando uma retração que vai nos levar a uma perda de produção, consumo e emprego”, frisou Pimentel. Conforme ele, para o fechamento deste ano, a Abit projeta para o País queda de 0,9% na produção do segmento têxtil e redução de 1,5% na produção das confecções, além de estabilidade no varejo e corte de 13 mil postos de trabalho em todo o setor. “Para 2019, é difícil enxergar um horizonte sem saber quem será o presidente”, pontuou.

Câmbio – Sobre a valorização do dólar ante o real, especialmente nos últimos dois meses, o presidente da Abit explicou que existem prós e contras. “Em um primeiro momento, o dólar mais caro para a indústria têxtil representa custo na veia porque 80% dos custos são dolarizados. Porém, melhora a posição competitiva com defasagem de tempo”, avaliou.

Por outro lado, de acordo com Pimentel, para as confecções a alta da moeda norte-americana é menos impactante. “Nesse segmento é preciso aguardar o novo ciclo de encomendas de fim de ano”, afirmou.

Parque mineiro – Com 3,6 mil unidades produtoras e participação de 13,2% no volume nacional de produtos têxteis, Minas é o terceiro maior do setor no País. “A tendência é de que a indústria têxtil mineira reflita o que acontece no País”, completou o presidente da Abit.