Último aumento no valor do aço foi anunciado em abril - Crédito: Marcelo Coelho/Divulgação

A valorização do dólar frente ao real e a alta do preço do minério de ferro no mercado internacional, que, nos últimos dias, ultrapassou a casa dos US$ 100 a tonelada – maior nível desde 2014 – já faz as siderúrgicas prepararem novo aumento do preço do aço no mercado brasileiro. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) deve ser a primeira a reajustar o produto, na ordem de 10%.

A informação é do presidente do Instituto Nacional da Distribuição de Aço (Inda), Carlos Loureiro, e, segundo ele, deverá ocorrer no início de junho. No mesmo compasso, as demais siderúrgicas deverão acompanhar o movimento e aumentar seus preços em seguida, talvez em julho.

“O último aumento ocorreu em abril, quando tivemos um aumento médio entre 10% e 15%, elevando, inclusive, o prêmio das siderúrgicas. No entanto, o novo cenário, com aumento do dólar e da cotação dos insumos básicos como minério de ferro e o carvão mineral, levou a uma necessidade de aumento”, explicou.

Procurada, a CSN não respondeu os questionamentos da reportagem sobre o reajuste. Ao que consta, a empresa estaria informando aos clientes do setor de distribuição e industrial aumento entre 10% e 12% a partir do mês que vem. Na teleconferência de resultados do primeiro trimestre, o presidente da companhia, Benjamin Steinbruch, chegou a comentar sobre a decisão, dizendo que havia espaço para recuperação de preços.

“O espaço para aumento, em busca de um preço mais competitivo, ocorre principalmente em função da necessidade da importação de placas. O que, no caso da Usiminas (Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais), é feito desde o fechamento das linhas primárias de Cubatão (SP), e agora na CSN por causa da reforma do alto-forno, prevista para ocorrer entre junho e agosto”, comentou o presidente do Inda.

Desempenho – Sobre o desempenho do setor em abril, o presidente do Inda informou que os resultados negativos já eram esperados, mas que foram ainda mais intensos. No entanto, ele ponderou que, ao observar o acumulado do ano, o setor ainda apresenta crescimento superior ao consumo aparente.

Segundo balanço da entidade, tanto as compras quanto as vendas tiveram desempenho negativo no mês passado em relação a março. No caso das compras, houve queda de 17,2% perante o mês anterior, com volume total de 226,3 mil toneladas. Já as vendas atingiram o montante de 266 mil toneladas, resultado 15% menor na mesma base de comparação. Na comparação com abril do ano passado, houve baixa de 14,2% nas vendas e alta de 18,1% nas compras.

Com este movimento, os estoques sofreram queda de 4,6% no quarto mês de 2019 em relação ao mês anterior e atingiram o montante de 814,1 mil toneladas. Assim, o giro dos estoques subiu, fechando em 3,1 meses.

Além disso, as importações encerraram o mês com queda de 25,9% em relação a março, com volume total de 91,1 mil toneladas. Comparando-se ao mesmo mês do ano anterior (97,7 mil toneladas), as importações registraram queda de 6,8%.

Por fim, a expectativa da rede associada é de que compra e venda apresentem queda de aproximadamente 5%.

Estoque segue elevado mesmo com produção estável

DA REDAÇÃO

Mesmo com a produção industrial praticamente estável em abril, houve estoques em excesso pelo terceiro mês consecutivo. Conforme pesquisa Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ontem, o índice de produção registrou 49,6 pontos e o índice de estoque em relação ao usual assinalou 51,3 pontos no mês passado. Os indicadores variam de zero a cem. Valores abaixo de 50 pontos indicam queda na produção e dos estoques frente ao mês anterior. Quando está acima dos 50 pontos, sinaliza crescimento.
A indústria continua com ociosidade elevada. Desde janeiro, o setor opera, em média, com 66% da capacidade instalada. O índice de utilização de capacidade instalada em relação ao usual para o mês, embora 1,4 ponto acima do registrado em março, ficou em 42,4 pontos em abril, ainda distante da linha dos 50 pontos. A fraca atividade industrial fez com que houvesse redução de postos de trabalho no mês passado. O índice de evolução do número de empregados ficou em 48,8 pontos, também abaixo dos 50 pontos.
De acordo com o economista da CNI Marcelo Azevedo, a combinação de fraca produção industrial com acúmulo de estoques faz com que as empresas priorizem a venda dos produtos estocados antes de planejar o aumento da produção. “Se continuar esse cenário, a tendência é que se reduza a atividade industrial”, completa.

Expectativas – Segundo a pesquisa, houve queda de todos os indicadores de expectativas e a mais expressiva foi em relação à demanda, cujo indicador caiu 2 pontos frente a abril, e atingiu 56,8 pontos neste mês. Apesar da retração, os valores continuam acima de 50 pontos, o que sinaliza otimismo.

“O otimismo ainda é bem elevado, apesar da fraca atividade. Houve um crescimento significativo desses indicadores e, agora, estamos passando por uma reavaliação das expectativas”, destaca Azevedo.

Para se reverter o quadro no curto prazo, conforme Azevedo, é necessário recuperar a demanda. “Isso pode ocorrer de duas formas: pelo estímulo ao consumo ou por meio de reformas que aumentem a competitividade”.

O índice de expectativa para a quantidade exportada caiu de 54,1 pontos, em abril, para 53 pontos em maio. Já o indicador de perspectivas para compras de matéria-prima teve retração de 56,1 pontos para 54,6 pontos e o de número de empregados foi de 51,7 pontos para 51 pontos no período. A intenção de investimentos também caiu pelo terceiro mês consecutivo e atingiu 52,5 pontos em maio.

A pesquisa foi realizada com 1.911 empresas, sendo 781 pequenas, 668 médias e 462 grandes. Os dados foram coletados entre 2 e 13 de maio de 2019. (Com informações da CNI).