Projeto da companhia é produzir 240 mil toneladas de concentrado de lítio anualmente - Crédito: Divulgação

A Sigma Mineração acaba de obter as licenças de instalação (LI) e operação (LP) para a produção de lítio em Minas Gerais. Com jazida no Vale do Jequitinhonha, a empresa está investindo centenas de milhões na planta que será construída no município de Itinga, com capacidade para produção de 240 mil toneladas de concentrado de lítio ao ano. O complexo, denominado Grota do Cirilo, deverá entrar em operação em 2020.

A licença, concedida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), representa o início dos trabalhos de implantação da planta industrial da mineradora no Estado para produzir o concentrado de óxido de lítio – principal matéria-prima de baterias.

Há estimativas de que os investimentos para a implantação do projeto cheguem aos R$ 500 milhões. Em 2018 foram aportados R$ 100 milhões e outros R$ 250 milhões estavam previstos apenas para 2019.

Em comunicado, a Sigma comemorou a aprovação do projeto por parte do governo de Minas Gerais e reforçou que está concluindo o estudo de viabilidade definitivo do complexo que terá capacidade para processar 1,5 milhão de toneladas do minério por ano.

“O projeto do processo de lítio é patenteado e inclui tecnologia DMS. O projeto da usina é para produzir 240 mil toneladas de concentrado de alta qualidade para baterias de óxido de lítio, com um dos níveis mais baixos de impurezas do mundo. A empresa está nos estágios finais do estudo de viabilidade para a mina de Xuxa”, diz o documento.

A LP permitirá que a empresa inicie a construção da fábrica, após a conclusão do estudo em andamento. Já a LI permitirá que a companhia conduza o transporte, a mineração experimental e o teste do processo de beneficiamento de DMS do minério da mina para o concentrado de lítio da bateria.

“Estamos honrados com a confiança que o governo de Minas Gerais depositou em nosso projeto. Representa um marco importante para o projeto da Sigma no Brasil. É uma das primeiras licenças ambientais duplas de LP / LI a ser concedida em Minas Gerais. A concessão simultânea das licenças prévia e instalação para a usina são etapas fundamentais para agilizar o cronograma da Sigma para a produção em 2020”, comentou o CEO da Sigma, Calvyn Gardner, no comunicado.

Vale dizer, porém, que as operações somente poderão ser iniciadas após a obtenção da licença de operação (LO).

Projeto – De acordo com o documento emitido pela Semad, o empreendimento será composto por cava, pilha de rejeito/estéril, unidade de tratamento e beneficiamento minério e unidades de apoio e administrativas. A fábrica utilizará a tecnologia de empilhamento a seco para gerenciar rejeitos e reutilizar mais de 90% da água no processamento e beneficiamento do concentrado. Como resultado, a Sigma não construirá uma barragem de rejeitos.

Conforme já publicado, em princípio, o lítio produzido pela companhia será praticamente todo exportado, já que não existem fabricantes nacionais de baterias de lítio, comumente usadas na fabricação de smartphones, tablets e veículos elétricos. Além disso, a Sigma fechou acordo com a Mitsui, do Japão, para vendas futuras de parte da produção. A geração de empregos diretos deverá chegar a 300 postos.