Crédito: OSWALDO CORNETI

Marcelo Nunes *

Estima-se que o trânsito seja a quinta maior causa de mortes no mundo em 2020, com 1,9 milhão de vítimas. Para 2030, a estimativa é ainda mais alarmante, com 2,4 milhões de mortes, segundo a OMS. Como esse cenário ainda não se confirmou, está em nossas mãos tomar medidas para que não venha a se tornar real.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 3 mil vidas são perdidas diariamente em estradas e ruas de todo o mundo. Os acidentes de trânsito são os principais responsáveis por mortes na faixa de 15 a 29 anos de idade e geram um custo estimado de US$ 518 bilhões por ano. Diante desse cenário apocalíptico é fundamental discutir o que pode ser feito para transformar a realidade e engajar os mais variados segmentos da sociedade para viabilizar iniciativas focadas na segurança das pessoas no trânsito. E a inovação pode ser uma das portas para encontrar respostas.

As novas tecnologias têm transformado o setor dos transportes e se mostram, cada vez mais, como um dos caminhos a serem explorados (vale lembrar o que significou a invenção do cinto de segurança e do freio ABS, responsável por evitar que as rodas travem e o carro derrape). Atualmente, marcada pela digitalização, a evolução dessas tecnologias nos trouxe para o presente e pode nos levar além.

É importante ressaltar, antes de tudo, que os olhos não podem e não estão voltados apenas para o que acontece no trânsito. A tecnologia também se faz presente nas soluções para além dos modais e até mesmo os estacionamentos, cada vez mais equipados e modernos, têm implementado novas tecnologias para acompanhar as mudanças do mercado e contribuir com as cidades mais inteligentes.

Destacam-se entre as principais medidas o controle de acesso remoto, o monitoramento da operação diária com câmeras de alta resolução e sistemas de pagamento antecipados e on-line, que melhoram a experiência dos usuários e, em consequência, promovem maior segurança. Hoje, diversos serviços são integrados nos estacionamentos, dando aos usuários conveniência, segurança e praticidade.

Sob a perspectiva da mobilidade nas grandes metrópoles e os desafios que as cercam, também é importante evidenciar a preocupação em criar sistemas integrados de serviços que facilitam o dia a dia da população. Ao otimizar e democratizar o uso dos espaços urbanos para estacionamentos rotativos, como a conhecida “Zona Azul”, as cidades e as empresas estão transformando-os em verdadeiros sinônimos de segurança, praticidade e conforto.

Somadas a soluções de pagamento automático e localização de vagas por aplicativo, comunicação interativa com os usuários, em tempo real, essas inovações permitem, segundo estudos, redução de 30% do trânsito nas regiões atendidas por essa solução e podem aumentar o faturamento do comércio de rua em cerca de 15%, com a facilidade dada aos usuários para acessar as vagas. Menos tráfego, menos poluição, mais tempo livre, mais atividade econômica, mais empregos.

Antes restritas às histórias de ficção, a capacidade de automação, transmissão e inteligência de dados já são realidade e podem ser utilizadas para aprimorar a segurança no trânsito. Recursos como radares e câmeras em 360º já auxiliam os condutores na identificação de obstáculos ao redor do automóvel, ,evitando acidentes. Vale ressaltar uma importante vantagem da tecnologia: a capacidade de processar informações mais rapidamente que o cérebro humano, o que resulta em um tempo de resposta mais rápido que o normal.

Conectividade e o big data também figuram entre as principais revoluções para o setor, pois proporcionam uma análise detalhada do comportamento humano, que já tem sido levada para a realidade das ruas. Quando cruzadas com as de outros automóveis, as informações obtidas facilitam a identificação de riscos relacionados à segurança de motoristas e passageiros. Experiências com essa tecnologia já vêm sendo realizadas ao redor no mundo, revelando um quadro mais otimista.

No entanto, trata-se de uma reação em cadeia. A tecnologia não caminha sozinha e é preciso mobilizar diferentes frentes, incluindo órgãos governamentais, empresas e startups, associações e, principalmente, sociedade civil com o objetivo de pensar e viabilizar ações que transformem em hábito a atenção no trânsito, acendendo, assim, o sinal verde para o futuro.

*CEO da PareBem Estacionamentos