Em um primeiro momento, o governo estadual pretendia levar as atribuições da Setur para a Sedectes - CRÉDITO: ALISSON J. SILVA

A novela sobre o fim da Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais (Setur-MG) e a destinação das suas atribuições teve mais um capítulo quinta à noite e ainda vai se arrastar pelo menos até fevereiro. Agora a Setur-MG deve se fundir à Secretaria de Estado da Cultura. A notícia surpreendeu e as opiniões de representantes do setor sobre o assunto são divergentes.

Em nota distribuída pela Secretaria de Governo (Segov), o governador Romeu Zema (Novo) justifica a fusão: “A união das duas secretarias será realizada, caso haja a aprovação das propostas de reforma administrativa a serem enviadas pelo Governo à Assembleia Legislativa. Ainda não há nome definido para ocupar a nova pasta e o processo de seleção seguirá a forma de recrutamento por empresa de recursos humanos, assim como foram feitas para as outras secretarias. Por enquanto, o vice-governador, Paulo Brant, responde pelas pastas da Cultura e do Turismo, de forma ainda separada na estrutura”, informa a nota.

Tudo começou com um equívoco logo na primeira edição do Diário Oficial do Estado de Minas Gerais do novo governo, no dia primeiro de janeiro, que extinguiu a Setur e determinou que suas funções fossem absorvidas pela Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese). Logo depois foi necessária uma retificação, levando as atividades da antiga Secretaria de Turismo para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes).

No dia 17, a nova determinação pegou a cadeia produtiva do turismo de Minas Gerais de surpresa. Se a mudança para a Sedectes já era esperada e, de alguma forma, até comemorada por alguns, a ida para a Secretaria de Cultura causou muito estranhamento. Embora a nota garanta que houve diálogo com os setores, o trade turístico reclama que não foi ouvido.

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Diálogo – Diz a nota: “Inicialmente havia a previsão de que a Cultura fosse integrada à Secretaria de Educação e que o Turismo entrasse na estrutura do Desenvolvimento Econômico. ‘Sempre disse que todas as nossas medidas seriam tomadas com bastante diálogo. Ouvimos os setores e chegamos à conclusão que será mais viável até economicamente termos essa junção de duas vocações do nosso Estado: turismo e cultura. São áreas que vamos fomentar em conjunto para gerarem ainda mais empregos e renda’, conclui Zema”.

O presidente do Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau (BHC&VB) e da Associação Visite BH, Jair Aguiar Neto, questiona a informação. “Queremos que o governador ouça o setor para depois tomar a decisão a respeito. Estamos sendo rifados de uma secretaria para outra e, enquanto isso, o turismo está paralisado. Somos uma das esperanças para a retomada de emprego e renda de forma rápida, mas estamos cada vez mais longe de ajudar Minas Gerais nesse propósito”, reclama Aguiar Neto.

Fala corroborada pelo coordenador regional em Minas Gerais da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Marcos Valério Rocha: “Esse é o pior dos cenários. É justamente aquilo que o setor não queria. Primeiro, extinguir a Secretaria de Turismo e, agora, vinculá-la à Cultura. O que desejávamos era mantê-la ou, na pior das hipóteses, ira para o Desenvolvimento Econômico. Estamos preparando um documento, que será assinado pelas diversas entidades ligadas ao turismo e encaminhado ao governo, colocando essas questões que nós defendemos”, pontua Rocha.

A palavra “fusão” utilizada na nota – “O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou, hoje (17/1), que vai promover a fusão das secretarias de Cultura e de Turismo” – dá esperanças ao presidente da Federação dos Circuitos Turísticos de Minas Gerais (Fecitur-MG), Igor Diniz.

“De todas as estratégias pensadas ate agora, é a melhor porque seria uma ‘supersecretaria’, sob o comando do vice-governador, até que se encontre um nome adequado. A cultura e o turismo são atividades complementares, porém com finalidades distintas, então precisamos de alguém com uma visão holística. Além de um bom técnico o escolhido também precisa ter uma boa articulação política”, destaca Diniz.