Vasconcelos afirma, modestamente, que “muita gente merecia receber essa medalha” | Foto: Cemig Telecom

Engenheiro, gestor, empreendedor. Os papéis assumidos por Aloísio Vasconcelos ao longo dos seus 50 anos de mercado foram tantos que defini-lo com apenas um cargo ou profissão se torna uma tarefa difícil. Nascido em Ponte Nova, na Zona da Mata, o mineiro ganhou o Brasil e o mundo: foi bolsista da Organização das Nações Unidas (ONU), trabalhou em multinacionais dentro e fora do País, comandou estatais como Cemig e Eletrobras e atuou na política, contribuindo para elaboração de projetos importantes como Luz para Todos e Plano Nacional de Informática. Ontem, ele foi homenageado com a medalha “Engenheiro do Ano”, da Sociedade Mineira dos Engenheiros (SME).

O currículo de peso, entretanto, não tira a simplicidade e modéstia de Vasconcelos, que faz questão de ressaltar que “muita gente merecia receber essa medalha”. Ele, que também foi presidente da SME, reafirma a importância da honraria para reconhecimento da profissão e se diz muito orgulhoso em recebê-la. “Eu nem sei se merecia, mas a entidade entendeu que eu me destaquei por minha atuação na área de energia e estou extremamente honrado”, afirma. A entrega da medalha foi feita pelo presidente da SME, Ronaldo Gusmão, durante solenidade na instituição em comemoração ao dia do Engenheiro.

A atuação na Cemig é uma das marcas de Aloísio em Minas Gerais. Foi na estatal que o profissional conseguiu seu primeiro emprego como engenheiro mecânico e elétrico e, anos depois, ele voltaria como diretor. Antes disso, porém, Vasconcelos trabalhou na Brown Boveri Company, na Siemens e cumpriu mandato como deputado federal.

A volta à Cemig aconteceu em 1999, quando ele foi indicado para a diretoria da empresa pelo então presidente Itamar Franco. “Voltar a essa empresa foi um sonho. Eu costumo dizer que a minha relação com a Cemig não é um caso de profissão, mas de paixão”, frisa. Durante quatro anos, o engenheiro acumulou os cargos de diretor de distribuição e diretor de geração e transmissão, tendo sob sua liderança quase 10 mil empregados.

Vasconcelos deixou a Cemig para assumir a presidência de outra estatal: Eletrobras, onde atuou na criação de importantes programas como Luz para Todos, Segurança da Eletricidade e o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). Em 2007, ele seguiu para outra experiência, dessa vez como diretor da Andritz. Foi nessa época que o engenheiro trabalhou em projetos importantes, como a construção e montagem da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga) e do Complexo Energético Amador Aguiar (Usina Capim Branco).

Telecom – As histórias da Cemig e de Vasconcelos voltaram a se encontrar em 2015, quando o engenheiro assumiu a Cemig Telecom. “Quando assumi, a empresa valia R$ 183 milhões, tinha uma equipe desmotivada e foco nos grandes provedores de telefonia e internet. Nós mudamos a visão do negócio, passamos a oferecer o serviço de telecomunicação para o mercado em geral e a empresa cresceu vertiginosamente. Este ano ela foi vendida por mais de R$ 600 milhões”, relata.

Hoje, o engenheiro se dedica à sua empresa de consultoria AV Consultoria, especializada em geração distribuída, energia solar e implantação de miniusinas hidráulicas. Para Vasconcelos, essa constante reinvenção de si mesmo e a atenção às inovações são essenciais para qualquer engenheiro. “Meus conselhos são: acreditar na engenharia, acompanhar a tecnologia e optar pelo empreendedorismo. Acho que o engenheiro precisa sair dessa solução antiga de concurso e funcionalismo público e empreender”, destaca.