A expectativa é chegar a 15 mil usuários da plataforma no Brasil - Diego Lara/Divulgação

Prestes a completar 10 anos de atuação em Minas Gerais com soluções de acessibilidade para pessoas com deficiência, a startup Geraes Tecnologia Assistiva inicia o processo de internacionalização com a chegada aos Emirados Árabes. A empresa foi vencedora do EdTech Innovation Start-up Competition 2018, promovido pela Krypto Labs em Abu Dhabi. Como recompensa, a startup recebeu cerca de US$ 150 mil, que deverão ser investidos no desenvolvimento da empresa nos Emirados Árabes. A expectativa é de que, em 2019, a startup esteja presente em 20 escolas do país asiático com uma plataforma educacional para alunos com deficiência.

Com sede no bairro Dona Clara, na Pampulha, a startup surgiu em 2009 com uma solução que ajudava pessoas cegas a pegarem ônibus. A plataforma acabou não chegando ao mercado por dificuldade de apoio das prefeituras, que é quem administra o serviço de ônibus urbanos. A história da empresa mudou em 2013, quando o fundador, Adriano Assis, se encontrou com o Gleisson Fernandes, o “Gleissinho”, que nasceu com paralisia cerebral e desenvolveu um conceito para melhorar o acesso de pessoas com deficiência aos computadores.

“O Gleissinho se formou em Ciências da Computação usando uma ponteira, que é uma tecnologia assistiva que é fixada na cabeça da pessoa para que ela acerte as teclas do computador. O trabalho de conclusão de curso dele foi um conceito para melhorar a acessibilidade de pessoas com deficiência ao computador. Em resumo, a ideia era fazer uma combinação de nove teclas para substituir o teclado tradicional do computador”, explica o diretor comercial da Geraes Tecnologia Assistiva, José Rubinger.

A partir do projeto de Gleissinho, a startup desenvolveu o TiX, que é um teclado acessível a estudantes com diferentes tipos de deficiências ou limitações motoras. A solução substitui o teclado e o mouse do computador com nove teclas combinadas e que são orientadas por símbolos e cores. O produto foi para o mercado em 2015 e, hoje, conta com 3 mil usuários em associações, escolas públicas e privadas e nas casas de pessoas em todo o Brasil.

Rubinger explica que, logo após o produto chegar ao mercado, a startup recebeu muitas avaliações, o que a levou a elaborar o segundo projeto, lançado no início deste ano: o TIX Letramento. Desenvolvido em parceria com Grupo Actcon, que atua há mais de 20 anos na área educacional, a plataforma educacional auxilia estudantes com deficiência no processo de aprendizagem, desde a simples comunicação com o outro, passando pela alfabetização, letramento até o letramento matemático.

“O que percebemos na prática é que muitas crianças não conseguiam nem mesmo se comunicar, então o processo de alfabetização e letramento se tornava quase impossível. Com a plataforma ela consegue se comunicar e é possível perceber se a criança está aprendendo”, explica. O diretor destaca que há muitas deficiências, inclusive a paralisia cerebral, que não comprometem o desenvolvimento cognitivo da criança e, por isso, é tão importante a existência de soluções que promovam a acessibilidade à educação.

O diretor afirma que, desde que a startup lançou o TiX, a empresa tem vivido um boom de crescimento. Em 2017, o faturamento cresceu 300% em relação a 2016 e, este ano, a startup deve triplicar o faturamento em relação a 2018. A expectativa é chegar a 15 mil usuários da plataforma no Brasil.

Além disso, a expansão da empresa para os Emirados Árabes também está garantido com a premiação recebida no EdTech Innovation Start-up Competition 2018. De acordo com Rubinger, a meta da startup é adaptar a solução para o idioma do país e chegar a, pelo menos, 20 escolas e 200 usuários dos Emirados Árabes em 2019.