O Mining Hub recebeu inscrições de empresas do Brasil e do mercado externo - CRÉDITO: ARQUIVO DC

No momento em que o País volta os olhos para os desafios relativos à segurança da atividade da mineração, o Mining Hub – espaço de inovação formado por 18 mineradoras em Belo Horizonte – acaba de divulgar a seleção de 15 startups que desenvolvem soluções para o setor. Inaugurado há menos de um mês, o espaço visa apoiar propostas inovadoras para resolver problemas em cinco grandes áreas da mineração: gestão da água, gestão de resíduos, energias alternativas, eficiência operacional e segurança operacional. Das 15 startups selecionadas, oito são mineiras, sendo sete da Capital e uma de Araxá, no Alto Paranaíba. Ao todo, as startups receberão recurso de R$ 1,1 milhão.

De acordo com o gerente de Gestão, Excelência e Inovação da Ferrous e coordenador do Mining Hub, Gustavo Henrique Roque, o primeiro ciclo de aceleração recebeu um grande volume de inscrições, entre startups de todo o Brasil e até do exterior. Ele também considerou satisfatório o nível de maturidade dos negócios e destacou o potencial inovador das propostas apresentadas. De acordo com ele, das 15 empresas selecionadas para o primeiro ciclo de aceleração, três apresentam soluções para eficiência operacional; quatro para energias alternativas; duas para gestão da água; quatro para gestão de resíduos e rejeitos e duas para segurança operacional.

As empresas selecionadas têm sede em diversas cidades, mas durante os próximos quatro meses elas estarão fisicamente presentes na base do Mining Hub, que fica no quinto andar do WeWork, na Savassi, região Centro-Sul da Capital. Das selecionadas, oito são de Minas Gerais; três de São Paulo e as demais de Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Pernambuco. “A seleção considerou a inovação das empresas, então não houve nenhuma preferência em relação à região. Acredito que o maior número de startups mineiras tem a ver com a quantidade de empresas que atuam na área. A proximidade do Estado com a atividade de mineração pode ter criado esse cenário”, aposta.

De acordo com o coordenador, cada startup teve seu projeto adotado por uma mineradora diferente. Esse apoio passa tanto por investimento em dinheiro quanto por disponibilização de especialistas e da própria estrutura da mineradora para a fase dos testes. Ao todo, as empresas patrocinadoras investiram R$ 1,1 milhão nesse primeiro ciclo de aceleração. “Durante um mês, as startups vão ajustar suas soluções aos desafios propostos pelas mineradoras. Depois disso, elas partem para a validação: serão três meses de testes”, explica.

Aplicabilidade – Entre as startups mineiras selecionadas está a Laminus Engenharia, que tem sede no bairro Nova Suíça, na região Oeste da Capital. A empresa desenvolveu um modelo construtivo a partir de estruturas modulares feitas da mistura de concreto e de resíduos ou rejeitos. Até então a empresa utilizava resíduos da própria construção civil, mas a ideia é inserir no processo os rejeitos das barragens de mineração.

“O modelo construtivo é um processo real e que já foi amplamente testado. O que vamos fazer agora é utilizar os rejeitos das barragens, mas a aplicação é a mesma. Nossa tecnologia é a solução que as mineradoras precisam para diminuir o acúmulo de rejeitos”, afirma o diretor, Romero Camargos Fabel.

De acordo com ele, o método é inovador porque, além de diminuir o impacto dos rejeitos sobre o meio ambiente, ainda é uma solução econômica e ágil para o mercado da construção civil. “Com a estrutura modular eu gasto dois dias para construir uma casa simples de dois quartos. Além disso, só preciso de quatro funcionários e tenho um custo que chega a ser 20% menor que o método tradicional”, garante.

Com sede em São Paulo, a startup I9 Mining também foi uma das empresas selecionadas para o primeiro ciclo do Mining Hub. A empresa desenvolveu um conceito de monitoramento preditivo de barragens de mineração que utiliza tecnologias como fibra óptica e internet das coisas e permite monitoramento automático. “Os dados são transmitidos para o sistema supervisor, que de forma automática analisa os resultados, identifica os desvios, emite alertas, registra anomalias e gerencia os planos de ação associados a cada anomalia”, explica o diretor da startup, Alexandre Passos.

O empreendedor explica que, como todos os dados referentes ao monitoramento ficam na nuvem, a solução facilita, inclusive, a fiscalização dessas barragens. Passos acredita que um monitoramento eficiente como o que a startup propõe poderia ter evitado tragédias com o rompimento de barragens, como em Brumadinho e Mariana. “A melhoria do monitoramento das barragens de rejeito, além de contribuir para a segurança das regiões potencialmente afetadas por uma eventual ruptura, poderá contribuir também para a melhoria na relação da mineração de ferro do Estado de Minas Gerais com a sociedade local”, frisa.